Uma em cada três crianças goianas está acima do peso; sedentarismo e ultraprocessados preocupam especialistas
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Dados do Ministério da Saúde mostram que Goiás concentra 40% dos casos de obesidade infantil entre crianças de 5 a 9 anos do Centro-Oeste
Jornal Opção

Uma em cada três crianças e adolescentes acompanhados pela atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás está acima do peso. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, mostram que mais de 518 mil jovens apresentam excesso de peso no estado, o equivalente a 31% do público monitorado pela rede pública. Desse total, cerca de 13% já são considerados obesos.
O cenário é ainda mais preocupante entre crianças de 5 a 9 anos. Goiás concentra 59.247 dos 135.286 casos registrados na Região Centro-Oeste, respondendo por aproximadamente 40% das ocorrências nessa faixa etária.
O educador físico e fisioterapeuta Felipe Mabel atribui o avanço da obesidade infantil às mudanças no estilo de vida das famílias, marcadas pelo aumento do tempo de tela e pelo consumo de alimentos ultraprocessados.
“Hoje existe um uso excessivo de telas, além de um desconhecimento por parte de muitos pais sobre o valor calórico dos alimentos. As crianças estão cada vez mais sedentárias, praticam menos atividades físicas e consomem mais embutidos, enlatados e salgadinhos”, afirma.
Segundo ele, a rotina infantil mudou profundamente nas últimas décadas.
“Na minha infância, a gente brincava na rua, jogava futebol, pique-esconde e pique-pega. Hoje a realidade é diferente. As crianças passam muito mais tempo em frente à televisão, ao celular e aos serviços de streaming, reduzindo o convívio social e a prática de atividades físicas”, diz.
Proposta prevê “Ruas do Lazer”
Como alternativa para estimular a prática esportiva, Felipe Mabel defende a criação do projeto “Ruas do Lazer”, que prevê o fechamento temporário de vias públicas para atividades recreativas e esportivas.
Segundo ele, a iniciativa dependeria de uma articulação entre Estado, municípios e sociedade civil.
“A ideia é desenvolver um projeto piloto em algumas cidades, com professores de educação física promovendo atividades esportivas e recreativas nos bairros. É uma proposta que ainda precisa ser desenhada, inclusive com previsão orçamentária”, explica.
O fisioterapeuta afirma que a população também deve participar da construção da iniciativa.
“Queremos construir esse projeto ouvindo pais, adolescentes e especialistas. Não pode ser uma proposta feita apenas pelo poder público. A sociedade precisa participar dessa discussão”, pontua.
Esporte como investimento em saúde
Na avaliação do educador físico, ampliar o acesso gratuito ao esporte pode reduzir, no longo prazo, a incidência de doenças crônicas e aliviar a demanda sobre a rede pública de saúde.
“Quando incentivamos a prática de atividades físicas, reduzimos os casos de sedentarismo, diabetes, colesterol elevado e outras doenças. Isso ajuda a desafogar o sistema público de saúde”, afirma.
Para ele, as políticas públicas precisam priorizar a prevenção.
“Precisamos discutir como sociedade quais ações realmente incentivam hábitos saudáveis. É um trabalho de longo prazo, mas capaz de reduzir significativamente o número de comorbidades atendidas nas UPAs, nas UBS e em toda a rede pública”, conclui.


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