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Setor produtivo de Goiás prevê aumento de preços com o fim da escala 6×1

há 12 minutos
2 min de leitura

Representantes empresariais defendem que a redução da jornada para 40 horas semanais elevará custos operacionais



O Hoje





O Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que decreta o fim da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso. O texto, aprovado com 75 votos a favor e apenas um contra em votação de dois turnos, institui a obrigatoriedade da escala máxima de 5×2, sem alteração salarial, e a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.


Pelo projeto aprovado na última quarta-feira (14), as regras têm um cronograma apertado. Sessenta dias após a promulgação da PEC, todas as empresas brasileiras deverão adotar obrigatoriamente a escala 5×2 e não poderão exigir mais do que 42 horas semanais dos funcionários. Depois de mais 12 meses, completando um ciclo de transição de 14 meses, a carga horária deverá ser reduzida definitivamente para o teto de 40 horas.


A aprovação, celebrada nas ruas pelas centrais sindicais, deve beneficiar cerca de 26,8 milhões de trabalhadores em todo o país, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), número que engloba tanto empregados formais quanto informais. 


Reação empresarial em Goiás


Se de um lado a PEC promete descanso e ampliação do convívio familiar para o trabalhador, do outro, a medida preocupa o setor produtivo goiano. As entidades que representam o empresariado, em especial as ligadas ao comércio, serviços e indústrias, preveem um salto nos custos operacionais com impacto na inflação.


O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, afirmou que recebeu a aprovação “com preocupação”. Segundo Baiocchi, o impacto será concentrado nas operações menores e naquelas que funcionam nos fins de semana e feriados.


“Quem tem um funcionário vai ter que ter dois, 100% de aumento de quadro. Esse é um exemplo simples, mas ilustra o tanto que impacta nos pequenos negócios. E as empresas vão ter que fazer conta, porque o ônus é maior”, ressaltou.


O presidente da Fecomércio prevê um cenário de repasse desses custos para o consumidor. “A longo prazo, o impacto é preço, é consumo, é inflação. Há uma expectativa de que isso pode gerar até 30% de aumento em algumas situações onde a mão de obra é mais intensiva”, pontuou.


Baiocchi destacou ainda que a nova escala inicial entra em vigor no dia 20 de dezembro, no auge do faturamento do varejo. “Um belo presente de Natal que o empresário está ganhando contra a sua empresa. Ele vai ter que adequar o horário de atendimento, a escala e, se isso não for possível, investir em tecnologia, inteligência artificial, automação e novos equipamentos”, completou.

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