Goiás registra mais de 8,9 mil atendimentos psicológicos a servidores da Educação em menos de um ano
Programa Ouvir e Acolher também alcançou mais de 661 mil estudantes; gestora aponta sobrecarga emocional, agressividade e falta de apoio familiar entre os desafios enfrentados pelos professores
Jornal Opção

A rede estadual de Educação de Goiás já realizou 8.907 atendimentos psicológicos a servidores desde novembro do ano passado, quando o programa Ouvir e Acolher foi instituído no ensino público estadual, em meio à crescente preocupação com a saúde mental dos professores.
O cenário levou à ampliação de ações voltadas ao acolhimento e à prevenção do adoecimento emocional. A psicóloga e gestora do programa, Adalgisa Erse, conta, em entrevista ao Jornal Opção, que, apenas em setembro, 1.807 profissionais estavam em atendimento. Além disso, 661.741 estudantes foram alcançados por ações de acompanhamento e prevenção nas escolas desde a implantação da iniciativa.
Adalgisa explica que o trabalho busca atender não apenas situações relacionadas ao ambiente escolar, mas também dificuldades emocionais e sociais que afetam professores, funcionários e estudantes. Para ela, o aumento da procura por acompanhamento psicológico está relacionado a diferentes fatores, entre eles a sobrecarga profissional, os conflitos em sala de aula e a dificuldade de estabelecer uma relação de parceria entre escolas e famílias.
“Eu penso que é um cenário multifatorial. Socialmente, hoje, as pessoas estão mais conscientes de que cuidar da saúde mental é importante. E o professor lida com pessoas, e a adolescência é uma fase desafiadora”, afirma.
Segundo a psicóloga, o comportamento dos estudantes e a dificuldade de contar com o apoio das famílias na resolução de conflitos estão entre os principais desafios enfrentados pelos profissionais da Educação. Diante disso, muitos professores acabam assumindo responsabilidades que vão além do trabalho pedagógico, o que contribui para o desgaste emocional.
Adalgisa também aponta que os docentes precisam lidar com situações de agressividade, problemas familiares e dificuldades emocionais dos estudantes. Esse cenário, na avaliação da profissional, pode comprometer tanto a saúde mental dos educadores quanto o ambiente de aprendizagem.
“O que a gente ouve dos professores é que lidar com os alunos hoje é diferente. Eles não se sentem, muitas vezes, tendo esse suporte das famílias. Então, o professor se sobrecarrega, porque, além do trabalho pedagógico, ele muitas vezes tem que entender a perspectiva emocional daqueles estudantes, a agressividade, porque, infelizmente, a gente tem percebido que os alunos estão mais agressivos com os professores, e isso acaba causando um adoecimento emocional nos professores”, relata.
Mais de 661 mil estudantes alcançados pelas ações
O trabalho também se estende aos estudantes. Desde o início do programa, 661.741 alunos foram alcançados por meio de atendimentos individuais, rodas de conversa, atividades coletivas e intervenções em situações de vulnerabilidade.
Entre as demandas identificadas estão crises de ansiedade, episódios de bullying, violência doméstica e dificuldades emocionais. A equipe também atua quando estudantes apresentam sinais de sofrimento psicológico ou procuram ajuda espontaneamente.
Adalgisa relata que, durante setembro, os profissionais receberam pedidos de ajuda de estudantes, inclusive por meio de cartas com manifestações de pensamentos suicidas. Nesses casos, a equipe realiza o acolhimento, comunica a família, encaminha o estudante para a rede de saúde e acompanha a situação.
O acompanhamento também considera situações de ausência escolar associadas a dificuldades emocionais ou sociais. Segundo a gestora, quando a escola identifica que um estudante deixou de frequentar as aulas por esses motivos, a equipe pode entrar em contato com a família e buscar alternativas para garantir o retorno.
“Às vezes, quando vem alguma questão emocional, social, a nossa equipe já entra em ação também. Conversa com a família, pergunta o que está acontecendo, casos de maus-tratos. Então, a gente está envolvido em todo esse contexto”, afirma.


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