Carnaval exige atenção redobrada contra golpes digitais e pagamentos por aproximação (NFC)
- pereiraalves4
- há 8 horas
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Dados da Serasa Experian indicam que, no período do Carnaval, o Brasil registra uma tentativa de fraude financeira a cada 2,4 segundos.
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Durante o Carnaval, a atenção de muitos foliões se volta para a diversão: selfies, vídeos ao vivo, compras rápidas de bebidas pelo celular. Essa distração coletiva, aliada ao uso intenso de dispositivos móveis em meio às multidões, cria um cenário de vulnerabilidade para golpes digitais, especialmente o chamado “golpe da aproximação”, no qual criminosos utilizam maquininhas escondidas para debitar valores sem contato físico direto.
Dados da Serasa Experian indicam que, no período do Carnaval, o Brasil registra uma tentativa de fraude financeira a cada 2,4 segundos. O cenário é impulsionado pela popularização da tecnologia NFC, usada em pagamentos por aproximação. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS), esse tipo de pagamento já representa mais de 54% das transações presenciais no país.
O Banco Central (BC)também aponta crescimento nas fraudes envolvendo o Pix. Em 2024, a média mensal superou 390 mil notificações, mesmo fora de períodos festivos. Apenas em janeiro de 2025, foram registradas 324.752 notificações de fraude consideradas procedentes pelas instituições financeiras.
Para o professor Daniel Oliveira, coordenador do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Estácio Goiás, a combinação entre blocos de rua e facilidade tecnológica favorece a atuação de criminosos. “A praticidade dos meios digitais, como Pix e pagamentos por aproximação, quando usada sem cautela se transforma em vulnerabilidade, especialmente em locais de grande circulação de pessoas”, alerta.
Os riscos
Segundo ele, o perigo está na facilidade das transações.“Atualmente, o limite padrão estabelecido para compras por aproximação sem a exigência de senha é de R$ 200. Criminosos aproveitam o fluxo intenso para realizar múltiplas transações abaixo desse valor, que muitas vezes só são percebidas horas depois, quando o usuário confere o extrato”, explica.
Daniel ressalta ainda que, embora segura, a tecnologia NFC pode apresentar fragilidades em ambientes de massa. "O alcance da antena de uma maquininha pode chegar a 5 centímetros. Em um bloco de rua, essa é uma distância comum entre as pessoas, permitindo que o dispositivo malicioso leia o cartão através de bolsos de tecidos finos ou mochilas”, afirma.
Outro fator de risco é o hábito de manter o celular desbloqueado por longos períodos, com funções de pagamento ativas e sem limites definidos. "Uma medida essencial é revisar as configurações antes de sair para as festas: desativar o NFC quando não estiver em uso, definir limites baixos para pagamentos por aproximação e ativar notificações de transação em tempo real”, orienta o professor. Ele também recomenda o uso de capas com proteção RFID e guardar cartões em bolsos internos durante aglomerações.
Além das fraudes financeiras, o coordenador chama atenção para os furtos de celulares durante o Carnaval. "O roubo do aparelho vai muito além da perda material. O celular concentra aplicativos bancários, Pix, carteiras digitais e dados sensíveis. Quando o dispositivo é furtado, ele se torna uma porta de entrada imediata para as contas do usuário”, alerta.
Por fim, Daniel reforça a importância de fortalecer a segurança dos aplicativos bancários. "A autenticação multifatorial, o bloqueio biométrico e senhas mais complexas reduzem significativamente o risco de exploração dos dados financeiros, especialmente em ambientes com redes Wi-Fi públicas”, finaliza.






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