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Pró-reitor da UFG rebate o argumento de que estudantes cotistas estariam ‘roubando’ vagas de candidatos da ampla concorrência

O especialista apontou que o resultado foi expressivo, ao final do Reuni, as 100 mil vagas se transformaram em mais de 200 mil




Jornal Opção

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O pró-reitor de graduação da Universidade Federal de Goiás (UFG), Israel Trindade, esclareceu os pontos fundamentais sobre a Lei de Cotas e rebateu o argumento recorrente de que estudantes cotistas estariam “tomando vagas” de candidatos da ampla concorrência.


Israel apontou que com a implementação da Lei de Cotas, também se ampliou a quantidade de vagas, e, com isso, praticamente não se alterou a quantidade de vagas destinadas paraque a ampla concorrência.


Em meio ao período de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e às discussões sobre aprovação e reprovação, o especialista trouxe dados históricos e reflexões sobre o impacto das políticas públicas de inclusão no ensino superior.


Segundo Trindade, quando a Lei de Cotas foi implementada em 2012, o Brasil ofertava cerca de 100 mil vagas em cursos de graduação nas universidades públicas. Com a criação da lei, veio também o Programa Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), responsável pela expansão das instituições federais. “Foram criadas vagas, cursos e novas universidades. A UFG, só a UFG, nessa época dobrou de tamanho. Chegamos a ter 175 cursos de graduação”, destacou.


O especialista apontou que o resultado foi expressivo, ao final do Reuni, as 100 mil vagas se transformaram em mais de 200 mil. “Então, se por um lado criou a Lei de Cotas, para destinar 50% das vagas para estudantes de escola pública [entre outras], por outro lado dobrou-se o número de vagas.


Quem é da ampla concorrência, que disputava 100 mil vagas antigamente, continua disputando 100 mil vagas até hoje. Esse mito de que quem é cotista está tomando vaga de quem é da ampla concorrência não existe”, afirmou.


O pró-reitor explicou que a legislação determina que no mínimo 50% das vagas sejam destinadas a alunos de escola pública. Dentro desse grupo, há subdivisões que consideram critérios como renda, deficiência, além de pertencimento a grupos raciais e sociais historicamente vulneráveis, como pretos, pardos, indígenas e quilombolas.


“Quanto mais grupo de cota o estudante pertencer, mais vulnerável ele é. Mas vemos muitos casos de cotistas que fazem a prova e obtêm pontuação mais alta que candidatos da ampla concorrência. Esse estudante, então, acaba não entrando na cota, ele entra na vaga da ampla concorrência, porque teve nota de ampla concorrência”, explicou.


Trindade destacou que não é possível comparar diretamente as notas de cotistas e não cotistas, já que muitos estudantes que se inscrevem pelas cotas acabam sendo aprovados pela ampla concorrência devido ao bom desempenho.


“As notas da ampla concorrência, além de serem as melhores dos candidatos que disputam por essa modalidade, também incluem as melhores notas dos cotistas. Por isso, não dá para dizer que a nota de cotista é inferior”, afirmou.


O pró-reitor ressaltou que, independentemente da forma de ingresso, o desempenho dos estudantes ao longo do curso tende a se equilibrar. “O estudante entra na universidade pela ampla concorrência ou pela cota. Quanto maior a pontuação, mais evidente é que ele teve uma boa formação na educação básica. Mas no final do processo, não vemos muitas diferenças”, disse.


Ele citou o exemplo do curso de Medicina da UFG, em que metade das vagas é destinada a cotistas e metade à ampla concorrência. “Pode ser que o aluno cotista tenha uma nota inferior na entrada.


Mas lá no final, quando fazem a prova do Enade, a diferença é muito pouca. Muitos cotistas, às vezes, têm desempenho melhor que os da ampla concorrência. Isso mostra claramente que, uma vez dada a oportunidade, o cotista tem capacidade suficiente de se desenvolver, às vezes até melhor que o aluno da ampla concorrência.”


Israel Trindade reforçou que a Lei de Cotas não retirou vagas da ampla concorrência, mas ampliou o acesso ao ensino superior público. “Esse mito precisa ser desfeito. A política de cotas, junto com a expansão das universidades, garantiu mais oportunidades sem prejudicar quem já disputava vagas anteriormente”, concluiu.


Atualmente, Trindade exerce o cargo de pró-reitor de Graduação da Universidade Federal de Goiás (UFG) e defende que a democratização do acesso ao ensino superior é um passo essencial para reduzir desigualdades e fortalecer a educação pública no Brasil.

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