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PL passa de 100 deputados na Câmara após janela partidária

  • há 1 hora
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Levantamento, com base em dados da Câmara e dos partidos, indica que o PL tem agora o maior número de parlamentares desde 1998





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A proximidade da eleição turbinou a bancada do PL, que ganhou espaço sobre o Centrão na Câmara na carona da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e aproveitando desgastes nos estados que desidrataram o União Brasil.


O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro ultrapassou a marca dos cem deputados na janela partidária, que se encerrou ontem, e deve se consolidar com o maior número de parlamentares na Casa desde 1998, quando o PFL ocupou 105 cadeiras na reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso.


Na outra ponta da disputa pelo Palácio do Planalto, o PT, mesmo comandando o governo e com a força da máquina em mãos, seguiu no mesmo patamar.


Levantamento do GLOBO, com base em dados da Câmara e dos partidos, indica que o PL saiu de 86 para 101 deputados no último mês, período em que os membros da Casa puderam trocar de legenda sem sofrer punições.


O crescimento, com 22 novas filiações e sete saídas, ocorreu de forma concentrada nos últimos dias do prazo e reforça a estratégia da legenda de ampliar a presença nos estados de olho na disputa eleitoral.


Até o momento, 120 deputados trocaram de sigla no período. Os números ainda podem mudar, já que a movimentação ocorreria até os últimos minutos de ontem. A Câmara vai formalizar a nova composição nos próximos dias.


O crescimento do PL se deu sobretudo em cima de quadros do União Brasil, que enfrenta crises nos estados por disputas na federação com o PP, oficializada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e desgastes pela vinculação de dirigentes com o escândalo do Banco Master.


Palanques para Flávio


Para o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no entanto, o principal componente foi a adesão ao bolsonarismo para a campanha deste ano.


“O que explica isso é o prestígio do (Jair) Bolsonaro. Tivemos que abrir mão de algumas vagas (de deputados que queriam se filiar) para outros partidos, porque precisamos deles com o Flávio. Todos entram comprometidos em ajudar nos palanques nos estados”, afirmou Valdemar.


Entraram na legenda nomes como Alfredo Gaspar (AL), que foi relator da CPI do INSS e tenta se cacifar como candidato ao governo de Alagoas para enfrentar o ex-ministro dos Transportes Renan Filho, nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Do União Brasil também vieram Dani Cunha (RJ), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha; Rosângela Moro (PR), mulher do senador e ex-juiz Sergio Moro (PR), que fez o mesmo caminho; e Rodrigo Valadares (SE), que chegou a ser relator do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro — a função depois ficou com Paulinho da Força (Solidariedade-SP).


O vaivém intenso incluiu até mesmo um deputado que se filiou ao PL e deixou o partido uma semana depois. Em 25 de março, Padovani (PR) comunicou que estava saindo do União Brasil para ingressar na sigla de Valdemar.


Em 1º de abril, fez novo aviso: se desfiliaria do PL para entrar no Republicanos. Na tarde de ontem, no entanto, optou por uma terceira troca: vai migrar para o PP, na intenção de compor a chapa majoritária no estado. “O processo é muito dinâmico”, disse Padovani.


Sem o deputado paranaense e outras baixas, o União Brasil deve concentrar as maiores perdas da janela. A bancada deve cair de 59 para 44 deputados, resultado de 25 saídas e dez novas filiações. O desempenho reflete o impacto da federação com o PP, que, embora tenha sido desenhada para fortalecer o bloco e projetá-lo como protagonista da eleição presidencial, abriu espaço para o acirramento de disputas internas pelo comando partidário.


Nos bastidores, dirigentes e parlamentares relatam que a federação tem encontrado dificuldades para se posicionar nacionalmente e organizar suas bases regionais. A tendência, hoje, é que a se mantenha neutra na disputa presidencial, liberando seus filiados — parte optou pelo PL justamente pela vinculação a Flávio Bolsonaro.

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