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Operação contra Jaques Wagner mira braço do Master no PT da Bahia

18 de jun.
2 min de leitura

Investigação apura vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em negócios na Bahia e a suposta participação de Wagner no esquema



Terra





Pela primeira vez, a Operação Complice Zero está mirando políticos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta nona fase, o principal alvo é o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e ex-governador da Bahia. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT na Bahia, os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e a suposta participação de Wagner no esquema.


Em fases anteriores, a PF já mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro.


Wagner teria recebido pagamentos do Banco Master durante anos pela empresa da enteada Bonnie Bonilha, através de um contrato de consultoria que totalizou R$ 11 milhões em recebimentos. Ele também teria viajado com frequência em jatos de Daniel Vorcaro e recebeu um apartamento de presente em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, segundo informações do jornal O Globo.


Além de mandados de busca e apreensão cumprindos em endereços do senador, a operação também tem como alvo o empresário Augusto Lima. Ex-sócio de Vorcaro, ele arrematou a rede baiana de supermercados Cesta do Povo, em 2018, que era a antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada pelo sucessor de Wagner, o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa. 


No Estado, Lima também implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master, o Credcesta.


O empresário chegou a ser preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas foi solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e não foi alvo de outras fases. A suspeita da PF é que ele também atuou na operação fraudulenta de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Lima é influente na Bahia com trânsito entre políticos do PT e também da oposição.


Quando o escândalo do Banco Master explodiu, o jornal O Globo revelou que tanto o grupo petista, liderado por Wagner, quanto o grupo de ACM Neto (União Brasil) fecharam um acordo para deixar o caso fora da disputa eleitoral no Estado. Na ocasião, nenhum dos políticos quis se manifestar sobre o assunto. 


O mesmo jornal divulgou, em março, que Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia disse que os valores são referentes a serviços de consultoria.


Segundo a PF, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro. Não foram cumpridas medidas de monitoração eletrônica.


Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. As ações acontecem na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A decisão inclui medidas cautelares como a proibição de contato entre os investigados, a suspensão de passaportes e o uso de monitoração eletrônica.



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