top of page

Mulheres seguem como minoria nas eleições de 2026 em Goiás, mesmo após anos de cota de gênero

  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

Comparação com eleições anteriores mostra repetição de padrão: mulheres entram nas chapas, mas seguem fora dos espaços de decisão




Jornal Opção





Mesmo após mais de três décadas da política de cotas de gênero, as eleições de 2026 em Goiás mostram que a presença feminina na política permanece limitada ao mínimo exigido por lei. Levantamento do Jornal Opção das chapas partidárias indica que a maioria das legendas mantém o percentual de mulheres próximo dos 30%, patamar estabelecido pela legislação eleitoral.


Partidos como Novo (30%), PT (35,3%), Mobiliza (36,6%), Podemos (36,5%) e PL (38,3%) apresentam variações pequenas em relação ao piso legal. Na prática, o dado revela um padrão: os partidos cumprem a regra, mas não avançam além dela.


A exceção é a Federação União Brasil/PP, que alcançou 50% de candidaturas femininas. Ainda assim, especialistas alertam que o aumento numérico não significa, necessariamente, maior participação real no poder. Os demais partidos, como MDB e PSDB, ainda não fecharam a lista oficial de candidatos.


Mulheres são maioria do eleitorado brasileiro — cerca de 52% —, mas seguem minoria no poder político. O descompasso fica ainda mais evidente em Goiás, onde apenas 6 das 41 cadeiras da Assembleia Legislativa são ocupadas por mulheres, o equivalente a cerca de 14,6%.


O índice coloca o estado abaixo da média nacional e expõe um padrão persistente de sub-representação, mesmo após mais de uma década da política de cotas de gênero.


A legislação eleitoral obriga os partidos a registrarem ao menos 30% de candidaturas femininas, mas esse percentual não se converte em ocupação real de poder. Na prática, embora as mulheres representem pelo menos um terço das candidaturas, elas ocupam apenas entre 15% e 18% dos cargos eletivos.


A diferença revela o principal gargalo do sistema: o acesso à disputa existe, mas não garante competitividade nem eleição.


Mesmo com regras que determinam a destinação mínima de 30% do fundo eleitoral e do tempo de propaganda para candidaturas femininas, a desigualdade persiste. Na prática, mulheres ainda recebem menos recursos médios, têm menor acesso a estruturas partidárias e, em muitos casos, disputam campanhas com baixa viabilidade eleitoral.


Além disso, a Justiça Eleitoral tem registrado centenas de ações envolvendo candidaturas fictícias — mulheres que entram nas chapas apenas para cumprir a cota legal, sem campanha real, o que distorce os dados e reduz o impacto da política pública.


A evolução histórica mostra que houve crescimento inicial após a criação das cotas, saindo de menos de 10% de participação feminina para cerca de 30% nas candidaturas, mas o avanço parou nesse patamar.


Hoje, o sistema opera no limite da lei, sem promover mudança estrutural. O resultado é um cenário em que mulheres participam formalmente do processo, mas seguem afastadas dos espaços de decisão, indicando que a política de cotas garantiu presença, mas ainda não conseguiu transformar o poder político no país e em Goiás.

Comentários


bottom of page