Intoxicação por metanol: PF vai investigar a contaminação de bebidas em SP e apurar se há distribuição em outros estados
- pereiraalves4
- 30 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Casos envolvem jovens internados em estado grave, vítimas com sequelas e três mortes confirmadas após consumo de bebidas adulteradas com a substância.
G1

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou nesta terça-feira (30) que a Polícia Federal abriu uma investigação para apurar a origem do metanol usado para batizar bebidas alcoólicas no estado de São Paulo. Segundo ele, é possível que essa rede de distribuição da substância atue também em outros estados.
O metanol é altamente tóxico e pode levar à morte. No estado de São Paulo, seis casos de intoxicação forma confirmados, incluindo três mortes, e dez estão em investigação.
Na segunda-feira, determinamos ao dr. Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, que abrisse um inquérito policial para verificar a procedência dessa droga e a rede possível de distribuição que, ao tudo indica, transcende o limite de um único estado. Tudo indica que há distribuição para além do estado de são Paulo.
Segundo ele, o "número elevado e inusitado" de intoxicações por metanol em São Paulo chamou a atenção porque foge do tipo de padrões comuns, porque normalmente a ingestão de metanol ocorre por pessoas em situações de vulnerabilidade.
Diante desse cenário, um sistema de alerta rápido do governo que recebe informações de todo país quando a intoxicação por causas desconhecidas emitiu um alerta e, no sábado, a Secretaria de Defesa do Consumidor emitiu uma nota técnica para todos os estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas para tomarem cuidado com bebidas que pudessem estar contaminadas.
O Ministério da Saúde vai publicar uma nota técnica definindo o que é um caso suspeito ou não e esclarecendo os sintomas para orientar os profissionais de saúde sobre como identificar e agir nessas situações.
Quantos casos foram confirmados e estão em investigação?
Segundo o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do estado de São Paulo, até a noite da segunda-feira (29) foram seis casos de intoxicação confirmados e dez estão em investigação.
Entre os casos investigados, estão quatro jovens — dois homens e duas mulheres — que passaram mal após consumir gin comprado em uma adega na Cidade Dutra, na Zona Sul da capital, em 1º de setembro.
Um dos jovens, Rafael dos Anjos Martins Silva, está internado há quase um mês na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em decorrência da contaminação. No boletim de ocorrência, obtido pelo g1, é descrito que ele começou a passar mal, vomitou e teve fortes dores abdominais após ingerir a bebida.
A princípio, ele acreditou que eram sintomas de ressaca, até que começou a gritar que estava cego, e os pais o levaram para o hospital.
Ao Fantástico, a mãe dele, Helena Martins, contou que o quadro do filho é irreversível. “Ele está respirando pelo ventilador, não tem fluxo sanguíneo cerebral. Segundo a medicina, é irreversível."
Outra vítima é Rhadarani Domingos, que relatou ao Fantástico que ficou cega após beber três caipirinhas de vodca em um bar no Jardim Paulista, área nobre da capital. Na noite desta segunda, ela deixou a UTI, mas segue internada sem previsão de alta.
Foram registrados óbitos?
Sim. O governo estadual confirmou três mortes relacionadas a intoxicação por metanol. As vítimas são:
Homem de 58 anos, morador de São Bernardo do Campo;
Homem de 54 anos, morador da capital paulista;
Homem de 45 anos. O local de residência está sendo investigado.
Ainda conforme o governo, outra morte, de um homem com histórico de etilismo crônico, está em investigação, pois não se sabe como ocorreu a intoxicação. Outro caso foi descartado.






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