Goiás bate recorde de novas empresas em meio a debate sobre ‘pejotização’
- pereiraalves4
- 5 de nov.
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Líderes do comércio e da indústria goiana veem o fenômeno como reflexo da modernização da economia, mas especialista em direito trabalhista aponta precarização nas relações de trabalho
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Goiás bateu recordes de abertura de empresas em 2025. Segundo a Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), o Estado superou a marca de 38.306 empresas (excluindo MEIs) registradas em todo o ano de 2024 e atingiu 38.368 novos registros até outubro.
O número de Microempreendedores Individuais (MEI) também disparou: de 105.744 em 2024 para 123.278 em dez meses de 2025. O resultado acontece enquanto o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) investiga indícios de fraude na migração de 5,5 milhões de trabalhadores do regime celetista para Pessoa Jurídica (PJ) no Brasil e levanta o debate sobre “pejotização”.
Para líderes do comércio e da indústria goiana, o fenômeno tem menos relação com “pejotização” e mais com um reflexo da modernização da economia, do alto custo da contratação formal e de uma busca irreversível do trabalhador por autonomia.
A opinião, contudo, não é compartilhada por segmentos que atuam na defesa do trabalhador. Vale destacar que os dados de outubro revelam as atividades que impulsionam o crescimento do MEI. São elas: “Promoção de Vendas” (676 novas empresas) e “Serviços de Malote Não Realizados Pelo Correio Nacional” (659).
Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi Carneiro vê duas causas principais para essa expansão: o custo para o empregador e a escolha do trabalhador.
“O aumento do número de MEIs, de uma forma geral no Brasil inteiro, inclusive em Goiás, ocorre em razão do alto custo que é manter um empregado celetista”, afirma. Ainda segundo ele, muitas empresas têm optado por contratar serviços terceirizados de PJs, entre eles MEIs, para reduzir custos.
Já o segundo fator é a digitalização da economia. O presidente da Fecomércio cita que o crescimento dos “serviços de malote e entregas” está “diretamente ligado ao boom do e-commerce”. Ele afirma que os entregadores de grandes plataformas, como Shopee e Mercado Livre, são, em sua maioria, MEIs. Para ele, todavia, trata-se de uma escolha consciente do trabalhador e a profissionalização via MEI, que vê como “um caminho sem volta”.
“Muitos prestadores de serviço que durante a pandemia, principalmente, começaram a prestar serviço e não voltaram para o emprego formal, como pintor de residência, azulejista, eletricista, encanador… Eles optaram em se manter nessas atividades”, explica.
Ele observa a mesma lógica para motoristas de Uber e entregadores de iFood, que “optaram em não voltar para a atividade formal, preferindo continuar como empreendedor individual com autonomia”.
Ele entende que a legislação brasileira é flexível como a dos Estados Unidos, onde é possível a contratação por hora. Assim, quem busca essa liberdade migra para o MEI. Ele classifica, inclusive, como vantagem o que chama de “flexibilidade total”.
Segundo o presidente da Fecomércio, desta forma, o trabalhador “faz o horário de trabalho, decide quantas horas por dia quer trabalhar, decide quantos dias por semana ele quer trabalhar e faz o salário dele”.

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