Goiás avança em transplantes, mas enfrenta 68% de recusa familiar à doação de órgãos
- pereiraalves4
- 5 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Para enfrentar a resistência das famílias, Estado investe na capacitação de profissionais da saúde. “É um desafio muito grande falar de morte em casa", diz gerente da Central de Transplantes
Jornal Opção

Apesar do avanço significativo na realização de transplantes, o Estado de Goiás ainda lida com um obstáculo persistente: a alta taxa de recusa familiar à doação de órgãos, que chega a 68%, acima da média nacional. Gerente da Central Estadual de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), Katiuscia Freitas, diz ao Jornal Opção que esse é um dos principais desafios do sistema, apesar do esforço contínuo para ampliar o número de doares e reduzir as fila de espera.
“A gente depende principalmente da autorização da família. A família pode rejeitar essa doação, independente de haver um documento em que a pessoa fale que é doadora”, explica Freitas. Segundo ela, mesmo com o registro eletrônico de doador de órgãos, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), depende da confirmação familiar. “Faz diferença quando uma pessoa chega em casa e diz que fez o registro para ser doador”.
Para enfrentar a resistência das famílias, o estado tem investido fortemente na capacitação de profissionais da saúde. “É um desafio muito grande falar de morte em casa. Ninguém quer falar sobre isso”, admite. Até maio deste ano, mais de 800 profissionais foram treinados em 31 comissões intra-hospitalares, que atuam diretamente no acolhimento das famílias.
“Entre os principais motivos de rejeição estão o desejo da família de manter o corpo íntegro, a percepção de que o falecido não era doador e o tempo necessário para o procedimento”, comenta. Ela argumenta, no entanto, que os procedimentos não prejudicam a integridade do corpo.
Número de procedimentos
Goiás registrou um crescimento de 62% nos transplantes nos últimos três anos. Foram 553 procedimentos em 2022 contra 895 em 2024. Rim e córnea são os órgãos mais transplantados, e também os que concentram as maiores filas de espera.
Atualmente, aguardam um transplante no estado 1.705 pessoas para córneas e 691 para rim. Há ainda sete pacientes na fila para fígado e um para pâncreas, totalizando cerca de 2.400 pessoas.






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