Exame de sangue testado no Brasil detecta Alzheimer com mais de 90% de precisão e pode reduzir custo do diagnóstico em até 10 vezes
- pereiraalves4
- 16 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) confirma desempenho de teste internacional em pacientes brasileiros e reforça o papel da educação e da saúde mental na proteção do cérebro.
G1-Goiás

Um exame de sangue desenvolvido pela empresa norte-americana Quanterix e testado em pacientes brasileiros mostrou alta capacidade de identificar alterações cerebrais associadas ao Alzheimer, com mais de 90% de precisão.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e apoiado pelo Instituto Serrapilheira. Os resultados representam um passo importante na validação de ferramentas que possam auxiliar o diagnóstico clínico da doença, dentro do que especialistas chamam de diagnóstico assistido por biomarcadores — quando exames laboratoriais são usados como complemento à avaliação médica.
“Atualmente, o diagnóstico do Alzheimer é feito, na maior parte das vezes, com base em avaliação clínica”, explica o neurocientista Eduardo Zimmer, professor da UFRGS e líder do ZimmerLab.
“Em alguns casos, são utilizados exames complementares — como o PET-CT ou a análise de líquor —, mas eles são caros e pouco acessíveis. O exame de sangue pode se tornar uma ferramenta de apoio, tornando esse diagnóstico mais preciso e democrático.”
O que o estudo mostrou
A pesquisa avaliou 59 pacientes atendidos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, comparando os resultados do exame de sangue com o chamado “padrão ouro”, o exame de líquor.
Os testes indicaram que a proteína p-tau217, medida no plasma, foi capaz de distinguir indivíduos com e sem Alzheimer com acurácia entre 94% e 96% — desempenho equivalente ao dos exames invasivos e muito mais caros.
“O exame acerta praticamente todas as vezes se o indivíduo tem Alzheimer ou não”, diz Zimmer. “Ele pode facilitar o diagnóstico assistido por biomarcadores, especialmente em locais onde o acesso a exames de imagem é limitado.”
Publicado na revista Molecular Psychiatry, o estudo se destaca também por incluir pacientes brasileiros de baixa escolaridade, um grupo frequentemente negligenciado em pesquisas internacionais.
“Testamos a ferramenta em uma população diversa, e ela funcionou muito bem”, resume Zimmer.
Diferença em relação aos exames atuais
O diagnóstico clínico do Alzheimer é feito principalmente com base em sintomas, histórico médico e testes cognitivos.
Em alguns casos, médicos solicitam exames que detectam as proteínas envolvidas na doença — como a beta-amiloide e a tau —, mas esses métodos ainda são restritos a grandes centros e têm custo elevado.
O PET-CT cerebral, por exemplo, pode chegar a R$ 10 mil, enquanto o exame de líquor exige punção lombar e equipe especializada. Nenhum dos dois está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).
O exame de sangue, por outro lado, usa apenas uma amostra simples de plasma e equipamentos ultra-sensíveis, capazes de detectar quantidades mínimas da proteína tau. O custo estimado é cerca de dez vezes menor do que o dos exames de imagem.
“O método não substitui a avaliação clínica, mas pode funcionar como uma ferramenta complementar — acessível e precisa — para apoiar o diagnóstico”, afirma Zimmer.






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