Desinteresse pela Copa atinge índice recorde, diz Datafolha
- 21 de abr.
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Desempenho da seleção brasileira e EUA como sede são apontados para justificar baixa adesão à Copa do Mundo
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(Folhapress) A pouco menos de dois meses para o início da Copa do Mundo, com uma seleção que não inspira grande confiança nos torcedores, a maioria dos brasileiros não demonstra vontade de acompanhar as partidas do torneio sediado por Estados Unidos, Canadá e México.
Segundo pesquisa Datafolha, 54% da população diz não ter interesse em assistir aos jogos do Mundial. O instituto ouviu 2.004 pessoas, entre os dias 7 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Esse é o maior percentual da série histórica, iniciada em 1994, ultrapassando em um ponto percentual o recorde anterior, registrado antes da Copa de 2018, na Rússia. Às vésperas da edição no Qatar, em 2022, 51% demonstravam pouco interesse no torneio.
O desinteresse é consideravelmente maior entre as mulheres (62%) em comparação com os homens (46%).
Também ao Datafolha, 31% dos entrevistados disseram que não pretendem assistir aos jogos do Mundial.
Segundo torcedores ouvidos pela Folha, o desempenho da seleção contribui para a empolgação em baixa.
O time de Carlo Ancelotti encerrou as Eliminatórias com uma derrota para a Bolívia e em quinto na tabela de classificação, sua pior colocação na história. Em amistosos, também acumulou tropeços contra Japão, Tunísia e França.
“Confesso que nunca fui muito do futebol. Mesmo assim, Copa sempre teve um clima diferente, com gente reunida, todos com a mesma camisa, e aquele assunto que acabava conectando todo mundo de forma espontânea”, afirmou o empresário Denis Seiji Alvarenga, 43.
“Mas hoje sinto que isso deu uma esfriada. Não sei se é só pela seleção, que já não passa a mesma confiança de antes, ou se é algo mais geral”, acrescentou.
Ele disse que mudanças de rotina também influenciam para que o “clima de Copa” não seja o mesmo de outros tempos.
“Trabalho, compromissos e o jeito que a gente consome conteúdo acaba tirando um pouco daquele ‘parar o país’ que a Copa tinha. Antes era quase automático, agora parece que depende mais do contexto de cada um”, afirmou Alvarenga.
“Acabou ficando algo mais pontual, de assistir a um jogo ou outro, sem aquela expectativa toda de antes.”
O empresário Valdir Canoso Portasio, 67, disse que sua falta de interesse tem relação com o clima de oba-oba que costuma tomar conta durante o torneio, algo que considera excessivamente artificial.
De acordo com o Datafolha, no entanto, quando o recorte diz respeito à preferência política, eleitores do presidente Lula e do ex-presidente Bolsonaro apresentam padrões semelhantes.Entre aqueles que votaram no candidato do PT no segundo turno das eleições de 2022, 17% responderam ter grande interesse na Copa, enquanto 51% não pretendem acompanhar.
Dos que optaram pelo candidato do PL, 15% se disseram empolgados e 56% não pretendem ver os jogos.
Nesse caso, a margem de erro varia de três pontos percentuais para Lula e quatro pontos para Bolsonaro, configurando um empate técnico.
Ainda conforme o instituto, 17% dos entrevistados responderam ter “grande interesse” em acompanhar a Copa. É o menor percentual da série histórica, um ponto percentual abaixo do recorde anterior da Copa na Rússia.
O maior percentual foi registrado na de 1994, quando 56% dos entrevistados disseram estar muito interessados.
No recorte por faixa etária, o público mais jovem é o mais empolgado. Nos grupos de 16 a 24 anos e de 25 a 34 anos, 24% e 20% responderam ter grande interesse, respectivamente. Os percentuais caem para 13% entre pessoas de 35 a 44 anos, 14% entre os de 45 a 59 anos e 15% entre os de 60 anos ou mais.


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