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CPI do Crime aprova convocações de ex-BC, Castro e Ibaneis

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Colegiado também aprovou a quebra de sigilo do fundo Laguz I, que movimentou R$ 43 milhões em operações com escritório ligado a ex-governador do DF




O Globo




A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira a convocação do ex-diretor do Banco Central Renato Dias de Brito Gomes e dos ex-governadores Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF), ampliando a frente política da investigação sobre o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.


Na mesma sessão, o colegiado avançou sobre o núcleo financeiro da apuração ao incluir a quebra de sigilo do fundo Laguz I.


Os pedidos que incluem Castro e Ibaneis foram apresentados pelo relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Também foram aprovados requerimentos para ouvir Yan Felix Hirano, apontado como facilitador na inserção de recursos ilícitos no sistema financeiro, e o desembargador do TRF-2 Macário Ramos Júdice Neto.


No caso de Ibaneis, a relatoria sustenta que a convocação está ligada a operações do escritório de advocacia fundado pelo governador com fundos associados ao ecossistema investigado, incluindo cessões de créditos a estruturas ligadas à Reag e ao Banco Master, além de decisões envolvendo o BRB na tentativa de aquisição da instituição financeira. Nesse contexto, a CPI aprovou a quebra de sigilo do fundo Laguz I após identificar contratos milionários com o escritório.


Relatórios de inteligência apontam operações realizadas em 2023 que somam cerca de R$ 43 milhões em movimentações entre o escritório e o fundo, vinculadas à cessão de créditos judiciais. O Laguz I, à época administrado pela Reag, tem como único cotista o Banco Original. Outras operações do mesmo tipo com fundos do mesmo ecossistema elevam o volume negociado para cerca de R$ 95 milhões.


O requerimento prevê acesso a dados bancários, fiscais, telefônicos, telemáticos e relatórios do Coaf entre 2019 e 2026. A justificativa cita indícios de uso de FIDCs para lavagem de dinheiro e aponta que o Laguz I aparece em comunicações de operações suspeitas associadas à Reag, investigada por inflar ativos e ocultar patrimônio no contexto do Banco Master.


Já a oitiva de Castro busca esclarecer o ambiente de atuação do crime organizado no Rio, com foco em financiamento e lavagem de dinheiro, especialmente no contexto da chamada “narcomilícia”.


Na mesma sessão, a CPI aprovou requerimentos de informação a órgãos federais. O Banco Central deverá enviar dados sobre processos envolvendo o conglomerado Master, incluindo a atuação de servidores e a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro e sócios. Também foram solicitadas informações ao BNDES sobre uma operação de R$ 5,05 bilhões na BR-163/MT e à Força Aérea Brasileira, com dados de planos de voo de aeronaves associadas ao grupo.


Também foram aprovados pedidos de quebra de sigilo que atingem empresas como Kairos FIP, Clínica Mais Médicos, Fraction 024 e Prime Aviation, além de pessoas físicas como Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro.


Na sessão, estava prevista a oitiva de Campos Neto, que informou, por meio de seu advogado, que não compareceria à CPI. Diante disso, foi apresentado e aprovado um requerimento extrapauta que o qualifica como testemunha e solicita uma nova convocação.


O ministro do STF André Mendonça concedeu um habeas corpus que converteu a convocação em convite, tornando facultativa a presença do depoente. Por esse motivo, a CPI apresentou uma nova convocação, aprovada na sessão de hoje.

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