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Corrida pela IA deve deixar celulares e computadores mais caros em 2026

A construção de datacenters para IA esgotou o fornecimento de chips de memória




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O avanço acelerado da inteligência artificial está gerando um efeito colateral direto no bolso do consumidor: o aumento nos preços de celulares e PCs.


Durante a CES em Las Vegas, líderes de gigantes como Arm, Qualcomm e Samsung alertaram que a construção massiva de datacenters para Inteligência Artificial (IA) esgotou o fornecimento de chips de memória. Segundo Rene Haas, CEO da Arm, a escassez atual é a mais severa das últimas duas décadas, o que torna o repasse de custos para os eletrônicos domésticos um movimento inevitável.


O problema central reside na tecnologia de memória de banda larga (HBM), essencial para alimentar os modelos de IA de empresas como Google, Amazon e Meta.


Com investimentos bilionários nessas infraestruturas, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron estão priorizando a produção desses componentes avançados em detrimento das memórias convencionais usadas em laptops e celulares. A mudança de foco é tão drástica que a Micron chegou a encerrar sua marca voltada ao consumidor, a “Crucial”, para focar totalmente na demanda dos centros de dados.


Analistas do Morgan Stanley preveem que a maioria das fabricantes de hardware elevará os preços significativamente ainda no primeiro semestre deste ano. O movimento deve impactar especialmente as vendas de aparelhos Android e computadores Windows.


De acordo com a IDC, o mercado global de smartphones pode sofrer uma retração de até 5,2% em 2026, sendo que as marcas chinesas que produzem modelos de entrada devem ser as mais prejudicadas pela falta de componentes acessíveis.


Por outro lado, gigantes como Apple e Samsung estão em uma posição mais resiliente para manter seus preços. Ambas possuem contratos de longo prazo que garantem o fornecimento de peças com até dois anos de antecedência, o que explica, por exemplo, o fato de a Apple ter segurado os valores do iPhone 17.


A estratégia de antecipação permite que as empresas sofram menos com as oscilações imediatas da cadeia de suprimentos para celulares e PCs.


A pressão no setor de tecnologia surge em um momento delicado para a economia global. Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor atingiu no final de 2025 o seu nível mais baixo em anos, reflexo do impacto acumulado da inflação e do desemprego.


Com eletrônicos essenciais ficando mais caros, o setor enfrenta o desafio de sustentar o consumo em um cenário onde o orçamento das famílias já está severamente pressionado.


Com informações da Folha de S. Paulo

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