Comércio de Goiás atravessa fim de ano sem vagas temporárias visando preencher as mais de 5 mil efetivas em aberto
- pereiraalves4
- 8 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Segundo o presidente do Sindilojas, a situação é causada por uma escassez inédita de trabalhadores
Jornal Opção

O comércio de Goiás atravessa o fim de ano sem a tradicional corrida por contratações temporárias. O motivo, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO), José Reginaldo Garcia, não é falta de demanda, mas uma escassez inédita de trabalhadores.
“O mercado não está preocupado com as vagas temporárias e, sim, com as efetivas. Hoje, todo mercado está contratando”, afirma. A estimativa do sindicato aponta para cerca de 5 mil vagas efetivas ainda abertas no setor, número que permanece inalterado desde setembro.
“Se você for em qualquer shopping, vai ver a dificuldade no atendimento, justamente por falta de mão de obra”, diz Garcia. Segundo o presidente, a queda na natalidade é um dos principais fatores estruturais.
“Na década de 60, eram seis filhos por mulher. Hoje é um filho e meio. Para cada seis pessoas com 60 anos, temos 3,8 com 25, que é o auge da força de trabalho. Daqui a 25 anos vai piorar”, afirma.
O avanço de trabalhos flexíveis também mudou o cenário. “Muita gente prefere ser entregador, motorista de aplicativo, trabalhar a hora que quer. Isso diversifica a forma de trabalhar e prejudica o empresário na hora de contratar”, diz.
O presidente aponta ainda o peso dos benefícios sociais. “A pessoa pensa: vou ganhar R$ 2 mil e perder meus R$ 1 mil de bolsa? Prefiro fazer bico.” Ele afirma que a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) já sugeriu ao governo uma transição mais suave.
“Propusemos que quem entrar no mercado não perca o benefício de imediato. Isso ajudaria essas pessoas a voltarem ao trabalho.” Garcia descreve uma mudança profunda na dinâmica de contratação.
“Antes, você abria uma vaga e vinham 20 pessoas. Hoje, você visita 20, 30, 40 lojas e o empregado é quem escolhe onde vai trabalhar. Mesmo sem experiência, os candidatos encontram espaço”, afirma.
“Todo varejista gosta de formar seu empregado. Só no Flamboyant treinamos mais de 3 mil pessoas este ano.” Porém, ele alerta: “A dificuldade continua enorme, e tende a piorar.”
Salários é pressão por atratividade
Com pouca oferta de mão de obra, os salários aumentaram. “O salário base de vendedor é R$ 1.795 mais comissão, mas ninguém paga menos que R$ 2.500 ou R$ 3.000 em Goiânia”, diz o presidente do Sindilojas.
Ainda assim, setores como alimentação enfrentam crise mais grave. “Auxiliar de cozinha, serviços gerais, onde os salários são menores, e muitos migram para o comércio. Já teve loja de alimentação que não abriu porque não tinha funcionário.”
A escassez de candidatos não é exclusiva de Goiás. Segundo Dayana Amaral, mestre em Psicologia Organizacional, “há fortes indícios de que o cenário de ‘muitas vagas abertas, mas dificuldade de preenchê-las’ é nacional”.
Ela reforça a inversão de expectativas: “Antigamente eram as empresas que selecionavam seus candidatos; hoje são os candidatos que escolhem as empresas.” Dayana afirma que o pós-pandemia transformou o perfil do trabalhador.
“Eles não buscam só emprego: buscam experiência, propósito e equilíbrio. Querem escolher dias e horários. Tornaram-se muito mais seletivos.” Os líderes passaram a pesar mais do que a marca empregadora. “Os candidatos escolhem os líderes. Observam postura, ética e o clima da equipe.”
Sobre o comércio, ela aponta fatores frequentes de rejeição: trabalho em fins de semana, feriados, jornadas longas, exigência emocional e física no atendimento direto ao público. “Uma jornada pesada afasta candidatos mesmo quando o salário é razoável”, conclui. “Benefícios também viraram diferencial.”






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