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Valor da conta de energia pode subir com risco climático e fim de descontos

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Projeções de consultorias do setor indicam que os reajustes previstos para 2026 podem superar com folga o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), chegando, em alguns cenários, a quase o dobro da inflação oficial estimada.




DM





A conta de luz foi o item com maior impacto individual sobre a inflação em 2025 e deve continuar pressionando o orçamento das famílias no próximo ano. Projeções de consultorias do setor indicam que os reajustes previstos para 2026 podem superar com folga o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), chegando, em alguns cenários, a quase o dobro da inflação oficial estimada.


No ano passado, a energia elétrica acumulou alta de 12,31%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo do IPCA. O índice geral fechou 2025 em 4,26%, o que significa que a variação da tarifa foi praticamente três vezes maior que a inflação média registrada no período.


Para 2026, as análises apontam novos aumentos. A consultoria Thymos Energia projeta elevação média de 7,64% nas tarifas em âmbito nacional. Já a TR Soluções trabalha com estimativa mais conservadora, de 5,4%. Ainda assim, ambas as projeções permanecem acima das expectativas predominantes para o IPCA, que giram em torno de patamares inferiores a 4%.


Os percentuais, no entanto, não devem ser uniformes em todo o país. No levantamento da TR Soluções, os reajustes regionais variam significativamente, podendo ir de 0,30% até 9,81%, a depender da área de concessão e das condições específicas de cada distribuidora.


Entre os fatores que explicam a tendência de alta estão o nível reduzido dos reservatórios das hidrelétricas, que limita a geração mais barata, e o fim de descontos extraordinários aplicados em 2025. Soma-se a isso a manutenção de subsídios a fontes de energia com custo mais elevado, o que impacta diretamente a composição da tarifa final paga pelo consumidor.


Com esse cenário, a energia elétrica deve continuar figurando entre os principais vetores de pressão inflacionária em 2026, influenciando não apenas o orçamento doméstico, mas também os custos de produção e serviços em diferentes setores da economia.


Segundo a TR Soluções, os reajustes previstos para 2026 variam de acordo com a região do país, com percentuais que vão de 0,30% a 9,81%, conforme a área de concessão.


Instituições financeiras também acompanham com atenção a perspectiva de aumento nas tarifas de energia elétrica. Entre elas, o Bradesco avalia que o cenário para o setor elétrico pode ser marcado por dificuldades no regime de chuvas, o que tende a pressionar os custos de geração.


A instituição aponta um quadro hidrológico considerado desafiador, com precipitações irregulares e risco de impacto sobre os reservatórios.


Dados divulgados nesta segunda-feira pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) apontam que o nível de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas varia entre 43,92% e 65,85%, conforme o subsistema.


O quadro para o setor elétrico brasileiro ainda pode se tornar mais delicado nos próximos meses. Atualmente, o país atravessa uma fase de neutralidade climática, sem a influência dos fenômenos El Niño ou La Niña.


No entanto, especialistas alertam que uma eventual elevação da temperatura das águas superficiais do Pacífico Equatorial, característica do El Niño tende a reduzir o volume de chuvas em parte do território nacional, afetando diretamente a reposição dos reservatórios das hidrelétricas.


Com menos água armazenada, cresce a necessidade de acionar usinas termelétricas para garantir o fornecimento de energia. Diferentemente das hidrelétricas, essas unidades dependem de combustíveis, como gás natural e óleo, o que encarece a geração. O aumento no custo é repassado ao consumidor por meio do sistema de bandeiras tarifárias.


Risco climático e impacto nas bandeiras tarifárias


O modelo de bandeiras funciona como um mecanismo de ajuste temporário nas contas de luz. Quando as condições de geração são favoráveis, vigora a bandeira verde, que não implica cobrança adicional. Já a bandeira amarela adiciona R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos.


Nos cenários mais críticos, entram em vigor as bandeiras vermelhas: no patamar 1, o acréscimo é de R$ 4,46 por 100 kWh; no patamar 2, a cobrança extra sobe para R$ 7,87.


A depender do comportamento do regime de chuvas e da evolução dos reservatórios, o acionamento mais frequente das termelétricas pode levar à adoção de faixas mais onerosas, elevando o custo final da energia para residências e empresas.



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