“Vai refletir no supermercado”: boi magro chega a R$ 400 por arroba e confinamentos têm 34% de ociosidade em Goiás
Levantamento percorreu confinamentos goianos e identificou alta no custo de reposição, além de gargalos de energia, sinal de celular e mão de obra; produtores também enfrentam baixa adesão a seguros e pressão sobre as margens
Jornal Opção

A menor disponibilidade de animais para reposição e o aumento do preço do boi magro devem pressionar os custos dos confinamentos em Goiás e podem chegar ao bolso do consumidor nos próximos meses.
O cenário foi identificado pela Expedição PeseBem, levantamento inédito realizado em propriedades goianas para traçar um diagnóstico da pecuária intensiva no Estado.
Em entrevista, o presidente do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Armando Rollemberg, afirmou que o custo de reposição está entre os principais desafios para o próximo ciclo.
Segundo ele, enquanto o boi confinado é comercializado na faixa de R$ 340 a R$ 350 por arroba, a compra do boi magro chega a aproximadamente R$ 400 por arroba.
“Nós temos um alto custo de reposição desse garrote ou dessas novilhas no confinamento. Estamos falando de uma venda em R$ 340, R$ 350 a arroba desse gado que está confinado e o boi magro sendo comprado em torno de R$ 400 a arroba. Então, esse ágio do boi magro está muito apertado e apertando as margens do confinamento”, explicou.
A expedição reuniu informações de mais de 100 confinamentos. De acordo com Rollemberg, 50 propriedades foram visitadas diretamente durante a iniciativa e outras 52 tiveram informações levantadas por técnicos. O trabalho analisou custos de produção, condições sanitárias, tecnologia e gargalos enfrentados pelos pecuaristas.
Os dados preliminares mostram uma capacidade estática de 755 mil cabeças nas unidades analisadas, das quais 501 mil estavam em uso. Isso representa uma ociosidade de 34%, equivalente a aproximadamente 254 mil cabeças. Nos confinamentos com capacidade para até mil animais, a ociosidade chega a 77%.
Carne pode ficar mais cara
Coordenador do Programa PeseBem, Alexandre Reis explicou que a pecuária atravessa um ciclo de alta marcado por menor disponibilidade de animais, situação que influencia diretamente o preço da reposição.
Segundo ele, uma mudança mais significativa depende da retenção de fêmeas e, posteriormente, do aumento da produção de bezerros. Como esse processo leva tempo, a expectativa é de uma reversão gradual do ciclo.
“Essa normalização deve acontecer só a partir do momento que começa a ter uma retenção de fêmeas. E essa retenção de fêmeas vai gerar uma produção maior de bezerros. Esse ciclo é em torno de três anos. A gente acha que, a partir do ano que vem, esteja revertendo esse ciclo”, afirmou.
Questionado se a dificuldade de reposição pode resultar em carne mais cara para o consumidor, Reis respondeu que sim. Além da menor oferta de animais, ele citou a demanda externa, especialmente a chinesa, como outro componente de pressão.
“Você tem um ciclo de alta, com menor disponibilidade de animais, menor oferta de animais.
A gente tem também o ciclo anual da China, que começa a se preparar para exportação a partir de novembro. Então, isso com certeza vai refletir num custo maior por arroba. Isso vai refletir, sim, lá na frente, no supermercado”, disse.
Apesar disso, Reis ressaltou que o Brasil mantém elevada competitividade internacional no custo da arroba.
Os dados da expedição reforçam o peso do mercado externo. Embora 44% das unidades pesquisadas vendam exclusivamente para o mercado interno, os estabelecimentos que exportam concentram 97% do volume analisado. Considerando a destinação total da produção, 80% seguem para o mercado externo e 20% permanecem no país.


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