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Uso de canetas emagrecedoras cresce 25% e levanta alerta sobre descarte irregular

  • há 42 minutos
  • 3 min de leitura

O avanço no consumo, no entanto, levanta um alerta ambiental: o descarte inadequado desses produtos pode contaminar solo e água, além de representar riscos à saúde pública.




DM





A venda de medicamentos análogos ao GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, cresceu 25,5% no Brasil, segundo dados do Sindusfarma. Em 2024, foram comercializadas 4.639.807 unidades, número que subiu para 5.822.868 em 2025.


O avanço no consumo, no entanto, levanta um alerta ambiental: o descarte inadequado desses produtos pode contaminar solo e água, além de representar riscos à saúde pública.


Crescimento no uso e impacto ambiental


O aumento no consumo dessas canetas intensifica a geração de resíduos farmacêuticos, que exigem descarte adequado. Segundo a pesquisadora Suzete Caminada, da Universidade de São Paulo, fármacos descartados incorretamente podem provocar contaminação ambiental, favorecer a resistência microbiana — no caso de antibióticos — e atuar como desreguladores endócrinos, especialmente quando contêm hormônios.


Além disso, há um agravante: as canetas combinam diferentes materiais, como plástico, vidro e agulhas. Dependendo do modelo, a agulha pode ser integrada ou separada, o que torna o descarte mais complexo, já que cada componente exige uma destinação específica. Por se tratar de material perfurocortante, a agulha não pode ser descartada junto com medicamentos comuns.


Falta de orientação e estrutura de descarte


A ausência de informação adequada à população é apontada como um dos principais problemas. Nem todas as farmácias ou drogarias possuem coletores apropriados, e muitos usuários não sabem onde ou como descartar corretamente esses resíduos.


Esse cenário tende a ser mais crítico fora dos grandes centros urbanos, onde há menos pontos de coleta e menor nível de conscientização. A concentração desses serviços na região Sudeste agrava o problema em outras partes do país.


Para especialistas, é necessário ampliar campanhas educativas e políticas públicas voltadas ao descarte correto, além de expandir a rede de coleta. A presença de lixões ainda ativos também aumenta os riscos de contaminação ambiental e de exposição de catadores a materiais perigosos.


O que dizem as normas e a legislação


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária regulamenta o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde por meio da RDC 222/2018, que classifica os resíduos e define formas de descarte. As agulhas se enquadram no grupo de perfurocortantes, que devem ser armazenados em recipientes rígidos e resistentes à perfuração.


No entanto, essa norma se aplica a estabelecimentos de saúde e não orienta diretamente o descarte domiciliar.


Já o decreto 10.388/2020 regulamenta a logística reversa de medicamentos vencidos, mas não inclui materiais perfurocortantes. Essa lacuna faz com que as canetas com agulhas fiquem fora da regulamentação específica.


Em 2023, a Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou a NBR 17059, que orienta o descarte de resíduos gerados por pacientes em casa. A norma recomenda armazenar perfurocortantes em recipientes rígidos, como garrafas plásticas resistentes, devidamente identificadas. No entanto, por ter caráter técnico e não legal, sua adoção não é obrigatória.


Iniciativas e programas de coleta


Na prática, o descarte domiciliar segue orientações gerais do Ministério da Saúde e depende de iniciativas locais. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura recomenda que agulhas sejam levadas a unidades básicas de saúde (UBSs), que possuem estrutura para recebimento.


O Paraná conta com legislação específica que obriga fabricantes e distribuidores a implementar logística reversa para perfurocortantes. Já iniciativas privadas também buscam preencher essa lacuna.


A empresa Brasil Health Sustainability mantém programas de coleta com fornecimento de recipientes apropriados, que devem ser levados posteriormente a unidades de saúde. Os resíduos passam por processos como autoclave ou incineração antes da destinação final.


Já a Novo Nordisk criou o programa Reciclaneta, voltado à reciclagem das canetas, embora as agulhas continuem exigindo descarte separado em coletores específicos. Outras farmacêuticas, como Eli Lilly e Sanofi, seguem a mesma orientação.


(Folhapress/Giulia Peruzzo)



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