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Usina é alvo de ações que cobram quase R$ 140 milhões por supostos danos ambientais em Goiás

28 de abr.
2 min de leitura

Empresa é suspeita de derramar vinhaça, um subproduto gerado na destilação do caldo de cana para produção de etanol, e contaminar duas fontes de água




Jornal Opção





Duas ações civis públicas pedem quase R$ 140 milhões em indenizações por supostos danos ambientais causados em Ipiranga de Goiás. Os processos têm como alvo a usina sucroenergética Agro-Rub Agropecuária e foram apresentados pela 2ª Promotoria de Justiça de Rubiataba.


Segundo as ações, a empresa é suspeita de lançar vinhaça resíduo gerado na produção de etanol a partir do caldo de cana, em episódios registrados nos anos de 2021 e 2023.


De acordo com o Ministério Público, os despejos provocaram degradação ambiental significativa, com impactos nos córregos Grande e Água Branca. Entre os danos apontados estão contaminação da água, aumento da carga orgânica, redução do oxigênio dissolvido, mortandade de peixes e prejuízos a áreas de preservação permanente.


Recuperação de 790 hectares


Dois laudos elaborados por peritos ambientais identificaram, segundo o órgão, falhas estruturais e operacionais no sistema de manejo da vinhaça utilizado pela empresa. Os documentos embasaram os pedidos de reparação integral dos danos e de indenização financeira.


Além da condenação em valores que somam cerca de R$ 140 milhões, as ações requerem a recuperação de 790 hectares de áreas degradadas. A medida inclui recomposição da vegetação nativa do Cerrado, restauração de Áreas de Preservação Permanente (APPs), controle de erosões e monitoramento contínuo da qualidade da água.


Os processos também pedem o repovoamento dos cursos d’água com espécies de peixes, mediante soltura orientada por especialistas, além da implantação de programa permanente de acompanhamento ambiental.


Conforme o promotor responsável pelo caso, os laudos técnicos estimam os custos da reparação em aproximadamente R$ 76 milhões em uma ação e R$ 63 milhões na outra.


A Agro-Rub Agropecuária informou ter recebido com surpresa as informações divulgadas pelo Ministério Público, especialmente por não ter sido previamente notificada sobre o relatório mencionado.


Segundo a empresa, os dados publicados não correspondem à realidade dos fatos. A defesa sustenta que as ações citadas se baseiam em denúncias não comprovadas e que os processos administrativos relacionados ao caso foram arquivados por improcedência.


A Agro-Rub também afirmou que a vinhaça, citada no relatório do MP, é um subproduto orgânico utilizado na irrigação das lavouras, prática considerada ambientalmente recomendada e adotada em diversas regiões do país.


Ainda conforme a empresa, o relatório mencionado carece de comprovação técnica e não haveria evidência de dano ambiental. Por fim, a companhia reafirmou compromisso com o cumprimento rigoroso da legislação ambiental e com a condução responsável de suas atividades.



 
 
 

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