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UEG concede título de Doutora Honoris Causa à líder quilombola Procópia dos Santos Rosa

Matriarca é 9ª personalidade a ser homenageada com honraria, a primeira mulher negra


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Foto: UEG



A líder kalunga Procópia dos Santos Rosa, de 89 anos, recebeu, na última quarta-feira (7), o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). A honraria é um reconhecimento pela atuação de Procópia na defesa do meio ambiente, luta pelo reconhecimento do território Kalunga e promoção da paz entre os povos.


Esta é a maior outorga concedida pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) a personalidades que tenham se distinguido pelo saber em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras e para o melhor entendimento entre os povos.


Analfabeta, e moradora de Monte Alegre de Goiás, Dona Procópia nunca teve oportunidade de estudar. Mesmo assim, sempre lutou em defesa do território Kalunga, contra o racismo e em prol do empoderamento das mulheres, fatos que levaram o Conselho Superior Universitário a aprovar, por unanimidade, a outorga do título.


Durante a solenidade de entrega da honraria, ela agradeceu o título e deixou uma mensagem: “Se não fosse a união, aqui não tinha nada. Hoje todos estão se formando, e quem esperava por isso? Aconteceu porque a gente correu atrás, com união e paz”, destacou. “Se unam. Não deixem o Kalunga ir abaixo”, pediu a matriarca.


O reitor da UEG, Antonio Cruvinel, enalteceu a homenageada. “Alguém da comunidade me perguntou se eu tinha vindo formar Dona Procópia. Digo que nós é que somos formados por ela. A UEG se engrandece ao entregar esse título a quem formou centenas de pessoas com suas ações, que dedicou a vida ao que acredita. Se cada um fizesse o que ela fez em sua comunidade, o mundo seria melhor”, salientou.


Este é apenas o 9º título de Honoris Causa entregue pela UEG – o primeiro a uma mulher negra.


História


Nascida no dia 10 de fevereiro de 1933, a líder Procópia dos Santos Rosa vive na comunidade Kalunga, do lado direito do Rio Paranã, no município de Monte Alegre de Goiás. A matriarca é mãe de dois filhos, 12 netos, 70 bisnetos e 15 tataranetos.


Aos 50 anos, rompeu um costume da comunidade de que somente os homens podiam ir à cidade e foi pela primeira vez a Monte Alegre. Aos 60, conheceu a capital do Estado. Dona Procópia conseguiu unir a comunidade para buscar benefícios como a titulação das terras, energia elétrica, escola e internet.


A atuação da líder quilombola fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) a indicasse, em 2005, para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, entre mil mulheres do mundo, sendo apenas 52 brasileiras. Mesmo não tendo levado o prêmio, a líder ressaltou a importância da indicação. “Fiquei muito feliz por levar o nome do Kalunga para o mundo todo”, destacou.

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