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UE prevê carne bovina brasileira fora do bloco por 2 anos

há 6 horas
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O chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia, Eric Thévenard, estimou nesta segunda-feira (28) que o Brasil não voltará a vender carne bovina para a União Europeia em menos de dois anos.



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O chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia, Eric Thévenard, estimou nesta segunda-feira (28) que o Brasil não voltará a vender carne bovina para a União Europeia em menos de dois anos.


“O tempo entre nascimento e abate é de cerca de dois anos, então vocês podem calcular: nada antes de dois anos, em teoria”, disse Thévenard a membos da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, o órgão legislativo da União Europeia. “De agora até daqui a dois anos, não deve vir carne bovina do Brasil.”


Os embarques de carne bovina e de frango para a União Europeia estão suspensos desde o início do mês porque, segundo a autoridade sanitária europeia, o Brasil não cumpre as regras do bloco contra a aplicação de antimicrobianos restritos a humanos ou para crescimento do rebanho.


Como mostrou a Folha de S.Paulo, os europeus já deram sinal verde para a retomada dos embarques de frango, que deve ocorrer após reunião no fim de outubro, mas o caso da carne bovina é mais delicado. Isso porque o bloco exige que o animal viva sob os novos protocolos do nascimento ao abate, que raramente ocorre antes de 18 meses.


Questionamentos sobre os controles


Em sua fala diante da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, Thévenard respondia a deputados que puseram em dúvida a qualidade dos controles brasileiros.

“No Brasil você pode comprar antibióticos por quilo em uma loja comum, sem nem precisar dizer se é agricultor ou não”, disse Thomas Waitz, da Áustria. “No Brasil, não há identificação individual do gado. Então quando uma vaca chega a um confinamento ou a um frigorífico, já não é possível saber exatamente qual animal veio de qual lugar.”


O deputado Ciaran Mullooly, da Irlanda, lembrou o recolhimento de lotes de carne bovina brasileira com estradiol, hormônio proibido na pecuária da União Europeia, em dezembro passado, e perguntou se os controles brasileiros não podem voltar a falhar no futuro.


“Muitos consumidores acreditavam que a carne bovina vendida na UE não continha esse hormônio, já que ele é proibido no bloco. Eles a consumiram antes de serem informados de que ela não estava livre do hormônio, não era segura e deveria ser recolhida”, questionou.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,049 bilhão (aproximadamente R$ 5,7 bilhões) em carne bovina para a União Europeia.


Medidas para retomada


Para retomar os embarques de carne bovina, o Ministério da Agricultura apresentou aos europeus uma série de garantias de enquadramento às normas sobre aplicação de antimicrobianos.


Entre elas, um protocolo privado elaborado pela Confederação Nacional de Agricultura e pela Abiec, e já aprovado pelo ministério, que prevê auditorias das fazendas e frigoríficos habilitadas a exportar para a União Europeia.


O Mapa também editou novas normas definindo os medicamentos de uso vedado e estabelecendo protocolos de rastreabilidade, alerta e bloqueio de lotes eventualmente contaminados.


Agora o governo brasileiro aguarda uma auditoria presencial nos moldes da visita dos europeus à cadeia da carne de frango, que se encerrou no último dia 4 de setembro e rendeu parecer favorável ao Brasil. Inspetores visitaram granjas, abatedouros e o sistema veterinário oficial.

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