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STJ deve afastar ministro Marco Buzzi após denúncia de importunação sexual

A tendência é que os integrantes da corte votem em maioria para que o ministro seja aposentado compulsoriamente do tribunal após conclusão de uma sindicância.




DM




Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirmam que o magistrado Marco Buzzi deve ser afastado como consequência da acusação de importunação sexual de que foi alvo. A tendência é que os integrantes da corte votem em maioria para que o ministro seja aposentado compulsoriamente do tribunal após conclusão de uma sindicância.


negou as acusações, disse que foi pego de surpresa pela denúncia e que não sabia o motivo pelo qual a jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos, estaria fazendo aquilo.

O ministro titubeou sobre o nome da garota, o que causou estranhamento em parte dos ministros. Oito dos 29 ministros votantes foram contra a abertura da sindicância. Integram a corte 33 magistrados.


Em nota, a defesa de Buzzi disse que existe uma tentativa de julgar e condenar o ministro “antes mesmo do início formal de uma investigação”. Afirmou ainda que espera o momento oportuno para esclarecer os fatos.


A Folha de S.Paulo ouviu quatro magistrados que estavam presentes na reunião na quarta-feira e que discutiram o tema com os pares nos últimos dois dias.


Defesa, mal-estar e internação


Depois do seu pronunciamento, o ministro saiu da sessão antes do fim. Nesta quinta-feira (5), ele foi internado no hospital DF Star, em Brasília, e apresentou um atestado médico ao tribunal. Segundo informou o STJ, não há previsão de alta.


Ainda nesta quinta, a jovem de 18 anos prestou novo depoimento ao CNJ no qual confirmou e detalhou as acusações anteriores.


Antes de a sessão de quarta começar, houve um acordo entre os magistrados para que o resultado sobre a abertura ou não de um procedimento contra Buzzi fosse declarado de forma unânime, para evitar expor os magistrados.


Houve divergências. A ala contrária à instauração da apuração argumentou que a medida seria prematura e que seria melhor aguardar as conclusões da investigação criminal, que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, e do procedimento administrativo já em curso no CNJ (Conselho Nacional de Justiça).


Bastidores falam em “pior cenário possível”


Os processos administrativos têm como consequência a aposentadoria compulsória. Nesse cenário, Buzzi perderia o cargo de ministro, mas continuaria recebendo seus proventos. No STF, uma eventual condenação pelo crime de importunação sexual pode gerar pena privativa de liberdade — de um a cinco anos — e a perda dessa aposentadoria.


Nos bastidores do STJ, a situação é classificada como “a pior possível” para Buzzi, conforme narrou um ministro à Folha. Esse magistrado destacou não ver “clima para impunidade”.


Essa percepção é aguçada pelo fato de a mãe da vítima ser uma advogada conhecida e respeitada pela comunidade jurídica, com bom trânsito no STJ. O caso é considerado sem precedentes no tribunal.

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