Servidores mantinham oficinas clandestinas usadas para fraudar manutenção do Samu, diz PF
- Rádio Verde Vale 103,7 - Mineiros, Goiás
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Ambulâncias encontradas durante operação (Foto: Divulgação/PF)
Investigações da Polícia Federal apontam que ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Goiânia eram levadas por servidores municipais para oficinas clandestinas, algumas delas pertenciam aos próprios envolvidos, onde serviços de manutenção eram realizados de forma irregular ou sequer executados. Segundo a PF, essa prática ocorreu entre 2022 e 2024 e fazia parte de um esquema que gerou prejuízo a partir de um contrato estimado em cerca de R$ 2 milhões. As apurações apontam que eram realizadas cobranças por abastecimento, lavagem, troca de óleo, freios e peças de veículos sucateados ou fora de operação.
Ao menos dez pessoas participavam das fraudes, incluindo quatro servidores que deveriam fiscalizar as manutenções. O delegado da PF André Monteiro explica que esses funcionários atuavam simultaneamente na supervisão e na execução dos serviços, o que possibilitava o esquema. Para burlar o controle oficial, eles levavam as ambulâncias para oficinas clandestinas.
Para justificar os pagamentos, simulavam reparos e usavam empresas credenciadas apenas para emitir notas frias. Monteiro afirma que os servidores operavam nas duas frentes do processo: eram responsáveis por autorizar e fiscalizar o contrato, ao mesmo tempo em que realizavam ou fingiam realizar os serviços, muitas vezes cobrados de forma superfaturada.
A CGU analisou uma frota de 17 ambulâncias do município e encontrou sinais de que a fraude era recorrente. A superintendente do órgão em Goiás, Suzana Kroehling, afirma que foram identificadas notas duplicadas e cobranças repetidas em intervalos muito curtos, incompatíveis com a rotina do Samu.
Ela destaca que algumas ambulâncias apareciam registradas como tendo recebido o mesmo reparo várias vezes em poucas semanas, como a troca de freios quatro vezes em um mês, o que reforça a suspeita de que os serviços não foram prestados. Segundo a CGU, parte das manutenções apontadas nas notas fiscais teria sido executada nas oficinas clandestinas ligadas aos servidores.
Suzana explica que o material apreendido ainda será analisado para ampliar as evidências e que novas auditorias podem ser abertas conforme surgirem novos indícios. Ela acrescenta que tanto o município quanto o Ministério da Saúde podem adotar medidas legais e administrativas para reaver os valores desviados e responsabilizar os envolvidos. O contrato de manutenção permanece ativo e também deve ser alvo de novas verificações.
Na manhã desta sexta-feira (28), a PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Durante a operação foram recolhidos celulares, documentos e notas fiscais.

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