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Santos é condenado a seis jogos com portões fechados por brigas em dia da queda

STJD julgou o clube nesta quarta-feira por incidentes em jogos da última rodada do Brasileiro; clube cumprirá punição na Série B, mas irá recorrer




GE

Jean Lucas em Santos x Fortaleza — Foto: Agif



A 3ª comissão disciplinar do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu o Santos por causa da confusão ocorrida na Vila Belmiro na partida contra o Fortaleza, pela 38ª rodada do Campeonato Brasileiro, que selou o rebaixamento do clube na competição.


O Santos foi condenado a disputar seis partidas com portões fechados na Série B. Além disso, recebeu uma multa de R$ 100 mil. O Peixe deve recorrer da decisão ao pleno do STJD.


O clube foi denunciado no artigo 213 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que trata de "deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir:"


  • I - desordens em sua praça de desporto;

  • II - invasão do campo ou local da disputa do evento desportivo;

  • III - lançamento de objetos no campo ou local da disputa do evento desportivo.


Inicialmente, o procurador do caso, Rafael Bozzano, pediu a pena máxima do artigo, que prevê perda de mando de campo de dez jogos e multa de R$ 100 mil. O auditor do STJD recordou a reincidência de ocorrências na Vila Belmiro por casos em 2022 e 2023, e a necessidade de uma punição exemplar ao Peixe.


– O que vai ser necessário já que quatro jogos, dois jogos, tentativa de agressão a atleta não surtiram efeito? Vamos esperar algo ainda mais grave do que vem ocorrendo? Dada a gravidade e previsibilidade da ocorrência, por que essa reunião não aconteceu antes? É irrelevante para o julgamento a briga e alteração política. Isso é irrelevante para se julgar a responsabilidade do clube. Trazendo histórico, reincidências, a Procuradoria manifesta pela procedência com penas aplicadas em nível máximo, inclusive perda de mando de campo. A Procuradoria pede que a pena seja de caráter pedagógico. Teve tempo suficiente para que os causadores pudessem entender que isso não é adequado num campo de futebol.


O advogado de defesa do Santos, Luis Eduardo Barbosa, buscou explicar que tudo o que estava ao alcance do clube para evitar a confusão foi feito e, por isso, pediu a absolvição. O advogado também citou o possível desiquilíbrio esportivo que uma punição mais grave poderia causar com o clube na Série B e em seu pior momento na história.


O Peixe também pediu que, caso não fosse absolvido, que pudesse ser aplicada punições alternativas, como a interdição da arquibancada onde estão localizadas as torcidas organizadas ou, em último caso, a disputa de jogos com portões fechados, mas sem a perda do mando de campo.


Já o relator Bruno Tavares defendeu uma punição menor ao Santos. O auditor refletiu que casos como o ocorrido na Vila Belmiro seguem ocorrendo apesar do aumento das penas, mas que a situação não tem sido revertida. Ele aplicou pena de seis partidas, sendo quatro de portões fechados e duas partidas atuando fora da Vila Belmiro, além de multa de R$ 100 mil.


– As penas estão aumentando, o Santos foi punido, depois vamos dar 10, 12 jogos ao Santos e o problema vai ser resolvido? Não sei. Elas têm que atingir o fim. Temos que tentar prevenir a prática de novos ilícitos. O fim principal, de prevenir novas infrações, não estamos conseguindo. Temos que parar e pensar se estamos atingindo. Todos os clubes que vêm aqui falam que fazem a mesma coisa e isso acontece. Não há como punir. Por outro lado, a responsabilidade objetiva dos clubes é o caminho que estamos encontrando. Os clubes têm que responder pelos seus torcedores. Ficamos em uma situação delicada. Os fatos ocorridos são muito graves e traz perigo para todos os envolvidos. E você ter que terminar uma partida por causa disso é inimaginável. É de se lamentar e questionar.


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