Quadrilha fraudava contas de energia com ajuda de funcionários da Neoenergia, diz PCDF
Servidores da concessionária usavam acesso privilegiado para cancelar débitos e transferir dívidas para terceiros, gerando prejuízo milionário e envolvendo até pessoas mortas no esquema
Jornal Opção

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), conduzida por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), desarticulou nesta terça-feira, 11, um grupo criminoso especializado em fraudar faturas de energia elétrica.
O esquema, que operava com a cumplicidade de funcionários de dentro da própria concessionária, movimentou valores expressivos e gerou um prejuízo estimado em mais de R$10 milhões aos cofres da empresa.
De acordo com as investigações, o núcleo da organização criminosa era formado por servidores da Neoenergia Distribuição Brasília que tinham acesso privilegiado aos sistemas corporativos. Valendo-se dessa prerrogativa, eles burlavam os protocolos de segurança para realizar manobras financeiras irregulares.
Entre as principais táticas adotadas pelo grupo estava a transferência arbitrária de dívidas de clientes inadimplentes para nomes de terceiros, muitas vezes pessoas vulneráveis ou já falecidas, além do cancelamento sumário de débitos sem qualquer justificativa técnica ou documentação comprobatória.
Com o histórico “limpo” no sistema, os clientes beneficiados pelo esquema conseguiam manter o fornecimento de energia sem pagar o consumo real, enquanto os prejuízos recaíam sobre a concessionária e, indiretamente, sobre cidadãos que tinham suas identidades usurpadas pelos criminosos.
As apurações apontam que auditorias iniciais detectaram inconsistências financeiras superiores a R$13 milhões em um intervalo reduzido.
Contudo, os investigadores acreditam que o montante total desviado ao longo da atuação da quadrilha pode ser ainda mais expressivo, à medida que a análise dos documentos e equipamentos apreendidos avançar.
Os suspeitos foram alvo de mandados de busca, apreensão e prisões temporárias. Eles deverão responder perante a Justiça por crimes como organização criminosa, estelionato e inserção de dados falsos em sistema de informações, cujas penas somadas podem alcançar até 17 anos de reclusão.
Alerta à população
O caso acende o alerta para a necessidade de rigor na checagem da regularidade de contas de consumo.
A PCDF orienta que os cidadãos monitorem de perto seus dados cadastrais e emitam faturas exclusivamente pelos canais oficiais das companhias energéticas, evitando intermediários que ofereçam facilidades na baixa de débitos.
A investigação continua para identificar todos os beneficiários finais das fraudes.
Nota da Empresa Neoenergia
A Neoenergia Brasília informa que a ação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), realizada nesta terça-feira (11), é um desdobramento de uma investigação iniciada em 2024, após a distribuidora identificar e denunciar irregularidades praticadas por funcionários terceirizados.
À época, os envolvidos foram imediatamente afastados, e o contrato com a empresa prestadora de serviços foi rescindido.
É importante ressaltar que nenhum cliente foi prejudicado pelas irregularidades, que foram cometidas contra a própria Neoenergia.
Assim que identificou os fatos, a distribuidora acionou a PCDF e apresentou Notícia-Crime à Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), fornecendo todas as informações e evidências necessárias para a apuração e a responsabilização dos envolvidos.
A Neoenergia Brasília reitera seu compromisso com a ética e a transparência e confia no trabalho da PCDF para o prosseguimento das investigações e a adoção das medidas necessárias à responsabilização de todos os envolvidos.


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