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PT e Vanderlan brigam por Codevasf em Goiás; Caiado monitora

Superintendência regional em Goiás só perde para a da Bahia em volume de recursos de emendas parlamentares no Orçamento a ser executado este ano, cerca de R$ 140 milhões



O Popular

Vanderlan Cardoso (PSD): senador indicou o atual superintendente da Codevasf em Goiás, Abelardo Vaz, e defende sua permanência pelo “bom trabalho” (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad)



Responsável pela distribuição de máquinas e equipamentos a municípios e depois de ganhar força por conta dos recursos do orçamento secreto no governo Jair Bolsonaro (PL), a superintendência regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba (Codevasf) virou um dos principais alvos de cobiça de grupos políticos no processo de divisão de cargos federais em Goiás.


A regional do Estado é a segunda em maior volume de recursos de emendas parlamentares do País no Orçamento a ser executado este ano (cerca de R$ 140 milhões), perdendo apenas para a Bahia, segundo informações da companhia aqui.


O atual titular, Abelardo Vaz, ex-prefeito de Inhumas, foi indicado pelo senador bolsonarista Vanderlan Cardoso (PSD) em outubro de 2021. O pessedista defende a permanência do indicado por conta do “bom trabalho”, enquanto petistas reivindicam o espaço e o governo Ronaldo Caiado (UB) monitora as articulações.


O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prioriza a governabilidade, com ampliação da base, e admite ceder o espaço ao senador, mas diz que primeiro serão analisadas as garantias de composição da bancada.


Há cerca de 15 dias, conforme mostrou o Giro, a coordenadora da bancada federal goiana, deputada Flávia Morais (PDT), começou a consultar os parlamentares sobre os interesses nos cargos, que são divididos entre os deputados e senadores.


Não há uma lista fechada, mas os órgãos com possibilidade de acomodações políticas podem chegar a 20. Uma parte tem exigência de indicação de servidores efetivos, que também entram em cota dos parlamentares. Eles têm apresentado lista de interesses para que haja um filtro e o consenso sobre a distribuição.


Embora façam discurso de independência, alguns parlamentares goianos têm manifestado nos bastidores interesse em compor a base do presidente e seriam contemplados com os cargos.


O deputado federal Rubens Otoni (PT) incluiu a Codevasf na lista de vagas que o interessariam, juntamente com as superintendências locais da Caixa Econômica Federal, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e dos Correios.


Caso seja contemplado com a primeira vaga, Otoni indicaria o advogado Edilberto Dias, filiado ao PT desde a década de 1980. O próprio deputado admite, no entanto, que existe a prioridade do governo em garantir governabilidade e afirma que estaria satisfeito com qualquer das opções.


Nos bastidores, Flávia tem defendido a construção de aliança com Vanderlan e a permanência da indicação na Codevasf.


Já Edilberto articula também em Brasília, buscando apoio de outros parlamentares. Ele esteve no Planalto na semana passada e fez críticas ao espaço para o senador e ao que ele considera falta de valorização do PT goiano.


Do lado do governo Caiado, aliados têm defendido movimento para tirar a indicação de Vanderlan - que apoiou o ex-deputado Major Vitor Hugo (PL) na eleição em Goiás -, inclusive com uma articulação junto ao União Brasil nacional, que conseguiu manter a indicação da presidência da Codevasf. Em acordo com o Centrão, Lula garantiu que a definição segue sendo do líder do UB na Câmara, Elmar Nascimento (BA), aliado próximo do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Elmar é quem havia indicado Marcelo Andrade Moreira Pinto, o atual presidente.


Tanto governistas daqui quanto de Brasília negam, no entanto, que o governador tenha se movimentado até agora para qualquer interferência no processo de definição. Admitem que há acompanhamento.


Vanderlan nega que esteja negociando a permanência de Abelardo com o governo federal. Segundo ele, o atual superintendente “deixou a regional redondinha” e o conjunto da bancada é que deveria ter interesse em mantê-lo. “Eu apoiei Bolsonaro e não vou reivindicar espaço no governo. Só o que quero é ser atendido em todos os órgãos, mas não quero indicar”, afirma o senador.


“Eu fiz a indicação lá atrás porque fui o responsável por trazer a Codevasf para Goiás e havia a necessidade de alguém que trabalhasse bem nela. Eu soube que o órgão é um canhão para trabalhar porque tem muitos programas e consegue ações rápidas e atuei para trazê-la e hoje ela cuida de muitas ações, com interesse grande da bancada”, afirma Vanderlan.


O grupo do senador considera que a decisão da Codevasf pode não ficar a cargo da bancada, mas sim do comando nacional da companhia. Caso a permanência de Marcelo seja confirmada, ele poderia optar por manter todas as regionais. Se a definição depender de Brasília, Vanderlan, pela proximidade com o órgão, poderia ter influência.

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