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PMs devem ir à júri acusados de matar jovem com câncer em abordagem, decide Justiça

Chris Wallace da Silva ficou 6 dias em UTI após ser agredido na cabeça durante uma abordagem. Policiais chegaram a ficar presos durante 5 meses em presídio militar. Cabe recurso de decisão.


G1-Goiás



Os policiais militares Bruno Rafael da Silva e Wilson Luiz Pereira de Brito Júnior devem ir à júri acusados de matar o jovem Chris Wallace da Silva, que tinha câncer, em decorrência de uma abordagem policial, em Goiânia, de acordo com uma decisão da Justiça. Chris ficou seis dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ser agredido na cabeça pelos PMs. Os policiais chegaram a ficar presos durante cinco meses em um presídio militar. Cabe recurso da decisão.


A decisão de que os PMs passem por júri foi publicada na última segunda-feira (24), pela desembargadora Carmecy Rosa Maria Alves de Oliveira. Ela acolheu o parecer do Ministério Público de Goiás (MPGO), que entrou com recurso contra uma decisão que tinha desclassificado a conduta inicialmente imputada aos réus, de homicídio qualificado, para o delito de lesão corporal seguida de morte.


“De tudo somado, presente a materialidade e indícios de autoria delitiva, bem como não havendo prova segura quanto a ausência do animus necandi [intenção de matar] dos réus que devem ser submetidos ao Conselho dos jurados, juízes naturais dos delitos praticados contra a vida, prevalecendo o princípio in dubio pro societate [na dúvida, cabe à sociedade]”, entendeu.


O advogado Emanuel Rodrigues, que fazia a defesa da família de Chris anteriormente, explicou a decisão da Justiça. Ele disse que somente o Tribunal do Júri poderá desclassificar a conduta dos PMs.


“Somente o tribunal do júri pode desclassificar a conduta dos PM’s, caso os jurados entendam que eles não tiveram a intenção de matar e também não assumiram o risco de matar ao bater em alguém que tinha câncer nos ossos após serem avisados dessa situação. Cabe à sociedade decidir. Por isso, o princípio usado ‘in dúbio pro societate’, que significa ‘na dúvida, cabe a sociedade’”, explicou.

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