PF deve entregar a Fachin material que cita ministros do STF no caso Banco Master
Informações citam ao menos seis dos dez ministros do Supremo ou seus familiares
Jornal Opção

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, deve entregar nesta terça-feira, 13, ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, um levantamento sobre as menções a integrantes da Corte encontradas no caso Banco Master.
A reunião, marcada a pedido da PF e solicitada pela direção da corporação em 1º de outubro, acontece no gabinete da presidência do tribunal após ajuste na agenda de Fachin.
No encontro, Rodrigues apresentará as provas colhidas pelos investigadores que fazem referência a ministros do STF. O material foi extraído dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de seu cunhado, Fabiano Zettel. Ao confirmar a reunião, Fachin afirmou que a apuração não deve excluir nenhum fato nem nenhuma pessoa.
A posição do presidente do Supremo já havia sido formalizada em ofício encaminhado a Andrei Rodrigues em 2 de outubro. No documento, Fachin manifestou interesse em receber um levantamento completo dos fatos relacionados aos integrantes do tribunal e garantiu que adotará os “encaminhamentos devidos” após receber um relatório ou conjunto de informações que apresente integralmente os fatos, “sem exceção de pessoa”.
O ministro também destacou o “inequívoco interesse institucional” na investigação de “todo e qualquer fato relevante” e declarou confiar na atuação independente da Polícia Federal e do Ministério Público, ressaltando a necessidade de responsabilidade, rigor e respeito às competências do STF.
Paralelamente, os inquéritos relacionados ao Banco Master seguem paralisados por requisição de Fachin ao relator, ministro André Mendonça. A elaboração de relatórios específicos sobre cada ministro só ocorrerá se esse for o entendimento do Supremo.
Caso o tribunal opte por novos documentos, a PF definirá se fará um relatório conjunto ou um para cada magistrado. As informações reunidas pela corporação incluem referências, em diferentes graus, a pelo menos seis dos dez ministros do Supremo ou a seus familiares, além de menções a integrantes do Superior Tribunal de Justiça.
Vale ressaltar que a existência dessas citações não significa necessariamente que os magistrados sejam investigados ou tenham cometido irregularidades. O material apresentado à Presidência do STF deverá permitir uma avaliação sobre a necessidade de aprofundar a análise de eventuais fatos envolvendo integrantes do Judiciário.
Não é a primeira vez que a PF entrega a Fachin material desse tipo. Em fevereiro, o presidente do STF recebeu um levantamento de cerca de 200 páginas com dados do celular de Vorcaro que citavam o ministro Dias Toffoli.
O documento apontava mais de dez ocasiões em que o empresário teria se encontrado com Toffoli, além de mensagens sobre pagamentos e conversas envolvendo a empresa da família do ministro, a Maridt, e o resort Tayayá, no Paraná.
Não se tratava de um relatório de indiciamento, mas de um levantamento de informações de bancos de dados e aparelhos periciados para subsidiar as investigações. Após a entrega, Toffoli deixou a relatoria dos processos ligados ao Banco Master, que passou a Mendonça, sorteado para a função.


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