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Padrasto inocentado após três anos preso por morte de bebê perdeu a dignidade e a convivência com a família, diz defesa

  • há 14 minutos
  • 2 min de leitura

Gabriel Álvaro Felizardo Silva confessou para proteger a companheira, que também foi indiciada pelo crime. A defesa avalia a possibilidade de buscar indenização pelos anos que o homem passou na cadeia.





G1-Goiás





O padrasto inocentado após ser acusado de matar a enteada de 1 ano em Santa Rita do Araguaia, região sudoeste de Goiás, perdeu a dignidade e a convivência com a família, segundo o advogado Django Luz.


Gabriel Álvaro Felizardo Silva ficou preso por cerca de três anos pelo homicídio de Emanuelly Garcia Rodrigues, antes de conseguir o direito de responder em liberdade.


O crime aconteceu em 2019, quando Gabriel chegou a assumir a culpa da morte da criança. Posteriormente, ele mudou a versão e disse que mentiu para proteger a companheira.


A mãe da bebê, Jaqueline Vieira, confessou ter agredido a filha, relatando que bateu a cabeça da menina na parede em mais de uma ocasião, provocando traumatismo craniano.


A decisão que absolveu Gabriel foi publicada na quarta-feira (29), quando o Tribunal do Júri julgou improcedente a denúncia contra ele. A defesa considera pedir indenização ao Estado pelos anos que o rapaz passou na cadeia.


“Ele não perdeu só a liberdade. Perdeu a dignidade, a convivência com a família, a faculdade que tinha iniciado. Até hoje sofre prejuízos porque as pessoas lembram da acusação e não do desfecho”, afirmou Django Luz.

‘Punitivismo’


De acordo com o advogado, a defesa sempre teve convicção de que Gabriel era inocente e de que, tanto a prisão, quanto a denúncia, eram uma injustiça. Ainda de acordo com Django, o delegado que concluiu o inquérito sobre o caso sequer indiciou Gabriel pelo homicídio.


Apesar disso, o Ministério Público ofertou denúncia contra ele, sustentando omissão diante do crime. “Foi uma linha bem punitivista. Resolveram colocar o Gabriel como participante sem prova nenhuma”, declarou.


A decisão dos jurados foi unânime e mesmo o Ministério Público, durante o julgamento, passou a defender a absolvição do padrasto. Agora, Gabriel tenta reconstruir a vida após a absolvição, que aconteceu sete anos após o crime.


“Quando você coloca um inocente atrás das grades, você está cometendo uma injustiça muito grave. Fazer justiça não é prender qualquer pessoa, é responsabilizar quem realmente cometeu o crime”, afirmou.

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