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Mãe denuncia hospital de Goiânia por susposta negligência médica após filha de 21 anos morrer com dengue

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Jovem passou mal no dia 3 de julho, foi diagnosticada com dengue tipo C e faleceu horas após dar entrada no Hospital São Judas Tadeu, onde médico teria orientado equipe apenas por telefone



Jornal Opção




A morte da jovem Evelyn Rodrigues de Oliveira, de 21 anos, levantou suspeitas sobre a qualidade do atendimento prestado pelo Hospital São Judas Tadeu, em Goiânia.


A mãe da vítima, dona Eliete, denunciou que sua filha teria sido vítima de suposta negligência médica na unidade de saúde particular conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS).


O caso será investigado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), enquanto a família busca respostas sobre as circunstâncias que levaram à morte da jovem, que trabalhava como operadora de caixa e planejava se casar no fim deste ano.


Tudo começou a se desenrolar no dia 3 de julho, quando Evelyn começou a sentir dores pelo corpo e fraqueza intensa. Antes de procurar o sistema público de saúde, a própria família decidiu pagar por um exame de sangue na rede particular, que confirmou o diagnóstico de dengue do tipo C.


Três dias depois, a situação se agravou, pois a jovem passou a sentir fortes dores na região abdominal. Diante do quadro clínico, ela buscou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasicon, localizada em Aparecida de Goiânia.


Na unidade, um novo exame de sangue foi realizado e, após avaliação médica, a decisão foi de encaminhá-la para internação no Hospital São Judas Tadeu, que mantém convênio com o SUS. Entretanto, horas depois de dar entrada no hospital, Evelyn não resistiu e faleceu.


Procurado, o Hospital São Judas Tadeu infomou que a paciente foi encaminhada para a unidade para tratamento de dengue hemorrágica grave e que ficou internada na unidade em um período de três horas.


Ainda segundo a unidade, neste período, foram feitos todos procedimentos necessários, como a intubação e estabilização do estado de saúde. Além disso, afirma que a jovem foi transferida para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de outra unidade hospitalar com vida, mas não informou qual hospital foi esse.


A unidade afirma que não pode comentar sobre os procedimentos adotados após a transferência da jovem. Sobre a injeção de Tramal na corrente sanguínea da paciente, o hospital disse que o atendimento “tanto medicamentoso quanto instrumental foram feitos dentro dos melhores padrões possíveis.”. “Ficamos sabendo que a paciente foi a óbito posteriormente. Infelizmente, os casos de dengue que levam a morte existem e não são poucos”, finalizou a nota.


Procedimentos questionáveis


De acordo com o relato da mãe, que acompanhou a filha durante todo o período de internação, o atendimento na unidade de saúde foi marcado por descaso e procedimentos questionáveis. Uma das reclamações da família diz respeito à aplicação do medicamento Tramal (cloridrato de tramadol) na paciente.


Em entrevista a uma emissora local, dona Eliete afirmou que a filha jamais havia tomado aquele remédio e que, por isso, chegou a questionar a equipe de enfermagem sobre a conduta adotada. “Ela falou assim: ‘Eu vou colocar o Tramal’. Eu falei pra ela: ‘Moça, por que você vai pôr o tramal? Minha filha está com dengue e ela nunca tomou isso'”, desabafou a mãe.


Além da suspeita em relação à medicação, a família também denuncia que o médico responsável pelo atendimento não compareceu pessoalmente ao hospital durante o atendimento da jovem.


“A enfermeira disse que conversou com o médico pelo telefone”, revelou Eliete. Ainda de acordo com o relato, a aplicação do Tramal na veia da jovem desencadeou uma reação imediata. “Quando o tramal caiu na veia dela, ela entrou em crise. Ela deu uma crise tão forte que ela se debatia”, contou a mãe, acrescentando que a equipe chegou a administrar Luftal, sob a justificativa de que a paciente estaria com gases.


No entanto, o estado de Evelyn continuou a se deteriorar rapidamente. “A barriga dela foi só crescendo, muito inchada. Ela já não respondia, ela entrou em choque, ela nem abria o olho mais. Eu falei: ‘Minha filha morreu, vocês mataram minha filha'”, desabafou dona Eliete.


Para além da dor da perda, a mãe já tomou as primeiras providências legais para buscar justiça. Ela registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, formalizando a denúncia de negligência médica e cobrando explicações do hospital sobre as circunstâncias que envolveram a morte da jovem.


Contudo, conforme destacou a própria mãe, a investigação completa ainda depende do resultado do exame cadavérico, que foi realizado, e o laudo deve ficar pronto em um prazo que varia entre 30 e 60 dias.

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