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Menino encontrado trancado em apartamento conversava com outras crianças e pedia socorro pela janela

  • há 51 minutos
  • 3 min de leitura

Segundo Conselho Tutelar, ele é diabético e foi internado na UTI do Hecad debilitado após ser socorrido. Mãe da criança foi presa em flagrante e deve responder pelo crime de abandono de incapaz.




G1-Goiás





O menino de 10 anos que foi resgatado do apartamento em que estava trancado em um quarto, em Goiânia, conversava com outras crianças e também gritava por socorro, segundo moradores do prédio à TV Anhanguera. Um vídeo mostra o momento do resgate, em que o menino conversa com conselheiros tutelares pela janela e conta sua situação.


Os nomes dos pais não serão divulgados pela reportagem para preservar a identidade da criança, seguindo os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A defesa deles não foi localizada.


O resgate aconteceu em um prédio no Setor Faiçalville na quinta-feira (9). A vendedora Loiana Kelly Brito contou que chegou a presenciar a mãe batendo no menino e avisou que chamaria o Conselho Tutelar. Ela também destacou que ouviu o menino gritando por socorro pela janela do apartamento várias vezes.


"Tinha uma outra mulher que morava aqui, que disse que já tinha ligado para o Conselho Tutelar porque já havia escutado várias vezes ele gritando por socorro, sozinho da janela. Ela ajudou até ele a se alimentar, porque ele ficava aqui sozinho", declarou.


Carlos Eduardo Freitas, síndico do prédio, afirmou que a cena do menino trancado e interagindo com as outras crianças pela janela enquanto assistia elas brincarem o comoveu.


"À tarde, as crianças saem pra brincar e ele fica interagindo com elas. É triste, machuca a gente", lamentou.


Nos vídeos anteriores ao resgate, José Roberto, conselheiro tutelar, usou uma escada para falar melhor com o menino, que conversava pela janela do quarto. Para ele, o menino conta que a mãe sai para trabalhar durante a noite e deixa ele trancado todos os dias.


José também perguntou se a criança já havia almoçado naquele dia e o menino responde que havia comido "umas bolachinhas". A criança também pediu água para os conselheiros e usou uma sacola plástica amarrada a lençóis para pegar a garrafa pela janela.


Segundo a Polícia Militar, a mãe do menino disse que saiu durante a noite para trabalhar, deixando a criança trancada no quarto para impedir que tivesse acesso aos alimentos, alegando que o menino era diabético e, se comesse em excesso, poderia passar mal.


Em entrevista, José Roberto confirmou que o menino é diabético e estava debilitado. Por conta disso, ele precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) após o resgate, sem previsão de alta.


"A diabetes estava toda desregulada, a glicemia acima de 500. Ele segue na UTI e vai continuar, sem previsão de alta", destacou.


Segundo o delegado Eduardo Carrara, a criança estava privada de alimentos e de local adequado para fazer necessidades fisiológicas. "Sem falar que tinham canetas de insulina, que é muito perigoso para criança administrar sozinha", disse o delegado.


'Espero ter uma vida melhor'


O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados para abrir o apartamento e resgatar o menino. Dentro da residência, os militares encontraram o local sujo, com louças para lavar na pia e roupas espalhadas pela sala, além de lixo e comida apodrecida.


No quarto em que o menino estava, havia um colchão no chão, alguns brinquedos e uma garrafa pet onde ele contou aos conselheiros que fazia suas necessidades.


Após ser resgatado, o menino afirmou: "Eu espero ter uma vida melhor".


Ao Conselho Tutelar, a criança relatou o desejo de morar com o pai. De acordo com o conselheiro José, o órgão vai verificar essa possibilidade com o Juizado da Infância e da Juventude.



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