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Investigação iniciada em Goiás leva à denúncia de 33 pessoas por tráfico internacional

  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Justiça Federal bloqueou R$ 78,1 milhões em bens dos investigados; apuração começou após apreensão de quase meia tonelada de droga




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Uma investigação iniciada pela Polícia Civil de Goiás após a apreensão de quase meia tonelada de cocaína em uma pista clandestina de Santa Rita do Araguaia, no sudoeste do estado, avaliada em R$ 25 milhões, levou o Ministério Público Federal (MPF) a denunciar 33 pessoas por integrar uma organização criminosa transnacional especializada no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro.


A pedido do MPF, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 78,1 milhões em bens e valores dos investigados, incluindo imóveis, aeronaves, veículos de alto padrão e recursos financeiros.


A investigação começou em 20 de abril de 2025, quando uma aeronave realizou um pouso clandestino na zona rural do município. No interior do avião foram encontrados 450 tabletes de cloridrato de cocaína, que totalizaram 470,8 quilos da droga. Os dois ocupantes tentaram fugir para uma área de mata, mas foram localizados e presos em flagrante.


Com os pilotos, as equipes apreenderam celulares, equipamentos de navegação aérea e anotações com coordenadas geográficas relacionadas à Bolívia. A perícia em um GPS aeronáutico permitiu reconstituir a rota percorrida pela aeronave entre a região do Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), na Bolívia, e o estado de Goiás.


Estrutura criminosa e lavagem de dinheiro


Segundo o MPF, a análise dos equipamentos eletrônicos, somada ao cruzamento de informações bancárias, fiscais e telemáticas, revelou uma estrutura criminosa organizada em quatro núcleos. O primeiro era responsável pela logística aérea, incluindo a aquisição, financiamento e utilização de aeronaves para transportar cocaína.


O segundo financiava as operações e ocultava a origem dos recursos por meio de empresas de fachada, contas de passagem e pessoas interpostas.


Já o terceiro núcleo administrava o patrimônio do grupo, utilizando empresas do setor de transportes para dar aparência de legalidade aos bens. O quarto era voltado à lavagem de dinheiro, envolvendo empresas de construção civil, comércio de gás, veículos de luxo, imóveis e um esquema de concessão de crédito e desconto de cheques descrito pelos investigadores como um “banco paralelo”.


As investigações também identificaram o uso do sistema conhecido como “dólar-cabo”, utilizado para enviar recursos clandestinamente à Bolívia sem passar pelos canais oficiais de câmbio. Conforme o MPF, o dinheiro era destinado ao pagamento de pilotos, abastecimento e manutenção das aeronaves empregadas no transporte da droga.



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