Inadimplência empresarial bate recorde e atinge 9,3 mi de CNPJs negativados
Levantamento da Serasa Experian aponta alta de 14,3% em um ano, com R$ 244,4 bilhões em dívidas acumuladas
O Hoje

O Brasil registrou um novo recorde negativo no cenário corporativo em agosto de 2026, quando o número de empresas com o nome sujo chegou à marca de 9,3 milhões de Cadastros Nacionais da Pessoa Jurídica (CNPJ).
Segundo os dados divulgados pelo Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, esse volume representa uma forte alta de 14,3% em comparação ao mesmo mês de 2025. No período, o montante total chegou a 68,2 milhões de dívidas não pagas, o que soma R$ 244,4 bilhões em pendências financeiras.
A gravidade do cenário é refletida na quantidade de compromissos atrasados que se acumulam no caixa empresarial. Em média, cada empresa que se encontra negativada possui 7,4 contas em aberto.
O levantamento aponta que a dívida média de cada CNPJ no vermelho alcançou R$ 26.355,13, enquanto o valor médio de cada pendência individual (ticket médio) girou em torno de R$ 3.583,96.
Juros
Apesar da implementação de cortes na taxa básica de juros, o cenário macroeconômico ainda impõe fortes restrições à operação corporativa diária.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, pontua que a persistência desses recordes comprova que as quedas nos juros não foram suficientes para reverter a fragilidade financeira das empresas. “A inadimplência empresarial cresce em ritmo menor, mas ainda muito elevado: a variação anual recuou de 28,7% para 14,3%, permanecendo em dois dígitos”, avalia a economista-chefe.
Abdelmack complementa que o quadro de 9,3 milhões de CNPJs negativados evidencia que “o crédito continua caro, o caixa permanece pressionado e o ambiente segue especialmente restritivo para os negócios de menor porte”.
A necessidade de sobrevivência tem impulsionado a busca por empréstimos. A economista ressalta que, no acumulado de 12 meses, a demanda empresarial por crédito cresceu 11,2%.
O dado mais preocupante é a alta de 113,9% nas concessões de capital de giro de curto prazo, revelando que os recursos estão sendo direcionados para a manutenção do fluxo de caixa. “Em um contexto de inadimplência recorde, esse movimento parece estar mais associado à necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios”, comenta.


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