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IA do TJGO que já analisou 2,5 milhões de processos começa a ser usado em 90 tribunais

  • há 1 minuto
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Desde janeiro de 2025, a ferramenta já analisou cerca de 2,5 milhões de processos ajuizados em 88 tribunais brasileiros, organizando esse volume em mais de 353 mil grupos de ações similares



Jornal Opção





Uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) usada para identificar ações repetitivas e apoiar no enfrentamento da litigância predatória passou a ser utilizada por tribunais de todo o país.


O modelo está integrado à Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e está disponível para magistrados de todo o Brasil.


Batizado de Berna, a tecnologia foi desenvolvida para ler e organizar petições iniciais semelhantes, ajudando o Judiciário a identificar ações repetitivas, conexões entre processos e possíveis abusos.


A IA é capaz de identificar e apontar padrões de repetição, pedidos padronizados e argumentações idênticas, características comuns em casos de litigância predatória , quando há ajuizamento em massa de ações repetidas ou padronizadas. Desde 2020, a solução é usada em Goiás.


Desde janeiro de 2025, a ferramenta já analisou cerca de 2,5 milhões de processos ajuizados em 88 tribunais brasileiros, organizando esse volume em mais de 353 mil grupos de ações similares.


A partir desses agrupamentos, magistradas e magistrados agora podem acessar a plataforma e verificar os processos semelhantes identificados em seus respectivos tribunais.


Avanço em inovação


O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), Leandro Crispim, destacou que a nacionalização da ferramenta representa um avanço na política de inovação do Judiciário brasileiro.


“Fundamentada em técnicas avançadas de processamento de linguagem natural, a ferramenta Berna lê e interpreta os documentos processuais e identifica similaridades de teses jurídicas. Isso permite ao Judiciário transformar grandes volumes de dados em inteligência para a tomada de decisões”, ressaltou.


Já para o diretor de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Estatística do TJGO, Antônio Pires de Castro, a ferramenta permite visualizar padrões que muitas vezes não seriam facilmente percebidos em meio ao grande volume de processos.


“A Berna identifica, por meio de critérios matemáticos objetivos, padrões de semelhanças, destacando ações que tratam do mesmo tema, apresentam pedidos padronizados ou seguem um modelo repetitivo de argumentação. Quando encontra similaridade igual ou superior a determinado coeficiente entre peças processuais, a ferramenta reúne esses casos em grupos de similares”, explica.


Gestão estratégica


Para o Juiz auxiliar da Presidência do CNJ, Henrique Dada Paiva, a tecnologia transforma grandes volumes de informação em inteligência estratégica para o sistema de Justiça.


“Ao organizar milhões de petições iniciais por similaridade, a ferramenta transforma volume em inteligência. Isso permite aos tribunais atuar de maneira mais estratégica, identificar padrões com maior rapidez e estruturar respostas institucionais coordenadas”, afirmou.


O Juiz auxiliar da Presidência do TJGO, Gustavo Assis Garcia, destaca que o agrupamento de processos semelhantes pode subsidiar julgamentos em lote, contribuir para a uniformização de entendimentos e aumentar a produtividade das unidades judiciais.


“Casos que apresentam padrões similares podem ser analisados de forma conjunta, respeitadas as especificidades de cada processo.


Assim, a Berna fortalece a atuação institucional no enfrentamento de litigâncias predatórias, permitindo a identificação mais rápida de padrões artificiais de ajuizamento em massa.


O resultado é um Judiciário mais estratégico, com maior capacidade de antecipar repetições e de organizar respostas coordenadas”, disse.

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