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Gripe aviária chega ao Uruguai e fica próxima do maior polo produtor brasileiro

A região Sul do Brasil é responsável por 65% da carne de frango produzida no país e 80% do volume exportado



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(Foto: Pixabay)


A gripe aviária, uma das principais doenças do setor de avicultura, chegou mais perto no Brasil. O Uruguai informou, nesta quarta-feira (15), que detectou um caso em animal silvestre. Dos cinco maiores produtores mundiais de carne de frango, apenas o Brasil ainda não registrou a gripe aviária.


A doença teve forte presença na China, onde persiste, está na Europa e, no ano passado, voltou aos Estados Unidos. Avançou ainda mais e já passou por Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, Chile e Bolívia e, agora, Uruguai. Há uma suspeita na Argentina.


Até então, o perigo de uma entrada no Brasil estava limitado a regiões com menor importância na produção nacional de aves. O país estava protegido pela cordilheira dos Andes e pela floresta amazônica, o que dificulta a chegada de aves silvestres.


Agora a doença acaba de chegar ao Uruguai, um vizinho muito próximo da maior concentração da produção nacional de aves. Do Sul saem 65% da produção brasileira de frango e 80% das exportações.


O Brasil vem montando uma operação de guerra de combate à doença desde o ano passado, quando as ameaças ficaram mais concretas. O problema é que a doença, como ocorreu no Uruguai, chega principalmente por meio de aves silvestres, o que torna o controle mais difícil.


Por ora apenas em aves silvestres, uma eventual chegada da doença às granjas comerciais da América do Sul traria sérias consequências para o setor, principalmente para o Brasil, o segundo maior produtor mundial e o principal exportador.


No ano passado, foram exportados 4,8 milhões de toneladas, com receitas de US$ 9,7 bilhões. Em 2023, o volume deverá superar 5 milhões, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).


Números do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam uma produção de 21,3 milhões de toneladas de carne de frango nos Estados Unidos neste ano e de 14,8 milhões no Brasil.


Ricardo Santin, presidente da ABPA, diz que a presença da doença ao Uruguai aumenta ainda mais o patamar de alerta, mas, segundo ele, o Brasil está preparado para enfrentar uma eventual chegada da doença.


Ela virou endêmica em várias países, como nos Estados Unidos e no México, e em regiões da Europa e da Ásia, mas o mundo começa a aprender a conviver com o vírus. É uma doença das aves, afirma ele.


A gripe aviária é causada pelo vírus influenza tipo A. Ele evoluiu e está altamente patogênico, ou seja, com um alto índice de contágio. São raros os casos que afetam humanos.


O efeito da influenza aviária é grande na avicultura. Além da necessidade do abate das aves, há um retardamento no ciclo de produção, podendo afetar preços e exportações.


É o que ocorre nos Estados Unidos, mesmo com os recursos bilionários disponibilizados pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o país registra o recorde de 58,4 milhões de aves que tiveram de passar por um abate sanitário nesse retorno da doença.


A doença se alastra e já são 760 focos naquele país, se espalhando por 47 estados. Só nos últimos 30 dias foram registrados 30 novos focos em 18 estados.


O controle da doença no hemisfério Norte fica mais difícil no inverno. Em dezembro, foram abatidas 5 milhões de aves nos EUA.


Uma possível chegada do vírus ao Brasil colocaria o produto brasileiro sob suspeita em vários países, embora a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) determine que as barreiras às exportações devam se limitar a um raio de 10 km das áreas afetadas. Mas, enquanto uns cancelam importações por questões sanitárias, outros o fazem por barreiras comerciais.


O Brasil detém 35% das exportações mundiais. O país é tão importante no mercado mundial que as vendas externas nacionais superam toda a produção do quinto maior produtor mundial.


A China perdeu o posto de segundo maior produtor para o Brasil e agora ocupa a terceira posição, com 14,3 milhões de toneladas. O comércio mundial de carne de frango é de 14 milhões de toneladas por ano.

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