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Golpistas roubam fotos de mulheres para criação de perfil falso

Imagens são utilizadas sob o pretexto de conteúdo adulto para atrair vítimas. Links apresentados são porta para aplicar vários delitos



O Popular

Tércia usa perfil para trabalho e se deparou com situação desagradável. Ela fez força-tarefa para derrubar conta (Foto: Reprodução Instagram)



Nos últimos dias diversas mulheres que possuem perfis em redes sociais têm cruzado com uma surpresa desagradável: as fotos delas sendo usadas em perfis falsos com a intenção de atrair vítimas para golpes em supostos sites de conteúdo adulto.


Ao POPULAR, vítimas relataram revolta e os sentimentos de impotência e exposição mediante a prática. Especialista explica que a formalização das denúncias ajuda a derrubar contas fraudulentas.


Os casos ocorrem principalmente no Instagram e no Facebook. A estratégia dos criminosos é simples: eles criam contas falsas utilizando a foto de mulheres e na descrição do perfil apresentam um link que supostamente irá redirecionar o usuário para um site no qual ele terá acesso a fotos e vídeos pornográficos daquela mulher. Ao clicar no endereço eletrônico, a pessoa fica sujeita a uma série de crimes como, por exemplo, o roubo de dados sensíveis e a clonagem do cartão de crédito.


Nesta quarta-feira (8), a professora Tércia Duarte, de 37 anos, foi pega de surpresa quando amigos a avisaram que as fotos dela estavam sendo usadas em um perfil com este propósito no Instagram. “Fiz uma força tarefa para denunciar a conta e tentar derrubá-la”, explica. Até o início da noite desta quarta, o perfil ainda estava ativo. A professora diz que irá procurar mais orientações sobre como proceder em relação a crimes cibernéticos.


Tércia conta que se sentiu revoltada ao saber que sua imagem estava sendo usada para a prática de crimes. “Não tenho problemas morais em relação a pessoas que produzem conteúdos adultos para ganhar dinheiro. Entretanto, me chateou saber que minha foto estava sendo usada em um golpe”, pontua. Atualmente, ela usa as redes sociais para divulgar o próprio trabalho e relata que não pode simplesmente privar o perfil para que só pessoas selecionadas tenham acesso às fotos que publica. “O jeito é aprender a lidar com a exposição”, pondera.


A policial penal e instrutora de tiro, Cristhyanne Carrijo, de 40 anos, que também usa as redes sociais para trabalhar, passou pela mesma situação nesta terça-feira (7). Ela já registrou o caso na polícia e até o início da noite desta quarta o perfil ainda estava ativo. “Também pretendo entrar com uma liminar na Justiça para tentar tirar o site que eles usam do ar. É uma situação constrangedora”, aponta.


No início desta semana, a jornalista Heloiza Caus, de 25 anos, também foi vítima do mesmo crime. O perfil falso já foi desativado. Mesmo assim, Heloiza afirma que irá procurar a polícia. De acordo com ela, a situação a deixou assustada e a afetou psicologicamente. “Chegaram a me questionar se eu não teria compartilhado fotos íntimas com alguém. É o machismo ainda recaindo sobre nós e tentando nos responsabilizar por essas situações. Como se isso desse o direito da nossa intimidade ser violada”, enfatiza.


Crime


O advogado e vice-presidente da comissão de Direito Digital da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO), Jean Moura, explica que esta prática usa de artifícios do phishing, pela qual criminosos aproveitam oportunidades criadas para tirar proveito de outras pessoas na internet. “É algo que acontece muito por e-mail, com o envio de mensagens eletrônicas com grandes promoções falsas. O golpe também apresenta algumas características do catfishing, uma espécie de estelionato envolvendo o engano amoroso.”


O especialista aponta que esse tipo de situação pode se desenrolar na prática de uma série de crimes. No que diz respeito a essas mulheres, os criminosos podem responder, por exemplo, por falsa identidade. No âmbito cível, cabe o uso indevido da imagem. Já em relação às pessoas, os criminosos podem responder por fraude eletrônica, que é uma espécie de estelionato.


Moura aponta que uma opção para as mulheres se protegerem deste tipo é privar o perfil nas redes sociais. Entretanto, assim como Cristhyanne, muitas mulheres usam as redes sociais como uma ferramenta de trabalho, o que faz com que a prevenção se concentre principalmente na conscientização sobre o golpe com o intuito de evitar que as pessoas cliquem em links maliciosos.


“Pessoas com perfis maiores também podem pedir o selo de verificação para as redes sociais. Ele atesta que a identidade daquela pessoa foi confirmada. Isso ajuda. Além disso, é importante que as pessoas façam uma análise dos perfis nas redes sociais antes de clicar em qualquer link. É importante desconfiar da falta de comentários e de muitas publicações feitas em um curto espaço de tempo recentemente”, esclarece o especialista.


Denúncias


A formalização de denúncias na polícia e nas próprias plataformas também é importante para inibir a prática e suspender as contas falsas que estão ativas. As vítimas devem procurar a Polícia Civil para registrar os casos a fim de que uma investigação criminal aconteça. “Nada impede que essas mulheres também peçam judicialmente a suspensão desses perfis falsos e busquem identificar as pessoas por trás do crime”, destaca Moura.


As plataformas também devem ser acionadas de forma administrativa. No caso do Instagram e do Facebook, é possível entrar em contato com o suporte do grupo Meta, conglomerado de tecnologia que é dono das plataformas, além de fazer denúncias dentro das próprias redes sociais. “O ideal é que várias contas diferentes façam denúncias ao mesmo tempo. Assim, o algoritmo entende que é preciso priorizar aquela análise”, finaliza o especialista.

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