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Goiás lidera alta de 113% nos feminicídios do Brasil; estado já soma 47 vítimas em 2026 e deve superar recordes anteriores

23 de jul.
2 min de leitura

Brasil registra quarto recorde consecutivo de feminicídios, com 1.571 assassinatos no último ano




Jornal Opção





O estado de Goiás já contabiliza 47 feminicídios entre janeiro e junho deste ano, um aumento de 113,6%, consolidando-se como o estado brasileiro com o maior crescimento percentual do país, segundo os dados do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério das Mulheres (MMULHERES) com base nas informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp VDE).


A projeção é que 2026 ultrapasse os recordes já registrados em 2025 e 2024, revelados nos dados divulgados nesta quinta-feira, 23, pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


No ano de 2025, Goiás registrou 59 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,3% em relação às 56 mortes de 2024, o que equivalia a uma morte a cada seis dias no estado. 


De acordo com o Código Penal brasileiro, o feminicídio é o assassinato de mulheres por razões que envolvem violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação à condição de mulher. Desde 2024, o crime deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a ser tipificado como crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão.


Apesar do endurecimento penal, os números mostram que a legislação, por si só, não tem sido suficiente para conter a escalada da violência. Em entrevista ao Jornal Opção, o conselheiro do Fórum Nacional de Segurança Pública, Cássio Thyone, destacou a complexidade do fenômeno e a necessidade de uma abordagem multifacetada.


“O feminicídio é uma outra modalidade de crime que tem merecido muita atenção porque ele está na contramão. Se eu estou tendo queda de homicídios e eu ainda tenho aumento de feminicídio, significa que essa modalidade precisa de maior atenção”, afirmou.


Thyone ressaltou que, mesmo com a existência de recursos como medidas protetivas, botão do pânico e casas de acolhimento, o risco zero para a mulher ainda é uma utopia. “Muitas vezes a mulher até deixa o local onde vive e vai para uma casa de acolhimento e tudo mais.


Mas mesmo assim nós vamos ter, infelizmente, ocorrências que vão culminar em feminicídios, porque o fato de você ter essa proteção, ainda assim ela não é um risco zero para a mulher. Por quê? Porque ao agressor que tem a medida protetiva imposta, nós ainda temos que entender que ainda assim, se ele tiver a vontade manifesta e tiver o acesso à mulher, ele vai cometer, infelizmente, o crime.”


O especialista também apontou uma falha crítica no sistema: a reincidência e a falta de prisão preventiva em casos de tentativas anteriores. “O que eu acho que a gente tem que repensar é que tem alguns casos em que existe uma reincidência de tentativas do homem, por exemplo, e ele não está preso. Então, existem propostas de aumentar eventualmente o rigor e da prisão desse tipo de caso”, observou.




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