FIA acerta em ajustes, mas classificação em Miami mostrará se a dose foi certa
- há 16 horas
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Mudanças devem recuperar emoção dos treinos de classificação e reduzir os riscos de acidentes mais sérios, mas dúvida persiste se será o suficiente
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A pausa forçada da F1 em abril possibilitou a janela que a FIA precisava para rever alguns conceitos das regras do Mundial de 2026, naquela que é a considerada a maior mudança de regulamento desde que a categoria foi criada, em 1950. Com tantas novidades, seria natural que esta "nova F1" precisasse de ajustes.
O problema é que as três primeiras corridas do ano, Austrália, China e Japão, indicaram que esta necessidade era mais urgente do que FIA, Liberty Media e as próprias equipes imaginavam.
É verdade que as voltas iniciais trouxeram mais emoção nas primeiras provas do ano, mas a artificialidade das ultrapassagens e, principalmente, a menor exigência do talento dos pilotos no momento mais veloz do GP, que é a classificação, foram muito criticadas pelos próprios protagonistas do espetáculo e, claro, pelos torcedores.
A segurança também foi um ponto que mostrou necessidade imediata de ajuste após o grave acidente de Oliver Bearman em Suzuka, em que o piloto escapou ileso de uma batida após ter que desviar da Alpine de Franco Colapinto, que vinha quase 100 km/h mais lento na frente.
A brutal diferença de velocidade virou comum em 2026, inclusive fazendo de muitas ultrapassagens meros “desvios por reflexo”, como Fernando Alonso definiu - ele e Max Verstappen não pouparam críticas ao efeito "Mario Kart", com a instável diferença de potência dos carros.
O pacote de ajustes anunciado na FIA na segunda-feira (20) e que já entra em vigor a partir do próximo GP, em Miami, foca em consertar justamente estes pontos críticos, como a classificação, a necessidade de economia de energia nas corridas, e também em itens com potencial de maior acidente, como chuva e nas largadas.
Ao aumentar a potência do armazenamento gerado pelo “superclipping” (de 250 para 350 KW) e reduzir o máximo de recarga (de 8MJ para 7MJ), a FIA considera que reduzirá bastante a necessidade dos pilotos tirarem o pé em curvas de alta velocidade para poupar energia . Estimativas mostram que esta necessidade cairia de quatro segundos por volta para apenas dois.
Com isso, o ajuste deve tornar a classificação novamente mais emocionante, sem os carros perderem velocidade no final de trechos de longa aceleração, como acontecia na parte final de Suzuka, após a curva 130R e antes da chicane.
Se a mudança será suficiente para tornar de novo o qualy o momento de maior precisão e técnica dos pilotos, onde o talento ainda faz diferença nas curvas desafiadoras e premia os melhores, só saberemos daqui a duas semanas nos Estados Unidos.
A FIA fez sua parte em ouvir mais os pilotos, como George Russell comentou em entrevista coletiva na semana passada organizada pela Mercedes. Já é um primeiro passo – ainda que de forma um pouco tardia, já que os próprios pilotos já vinham alertando sobre problemas das regras de 2026 desde os primeiros testes em simuladores há mais de um ano.
A mudança nas largadas também tem tudo para reduzir bem os riscos de uma das batidas mais preocupantes em automobilismo: de um carro acelerando a mais de 200 km/h encontrando na frente um carro parado ou muito lento (a 30 ou 40 km/h).
Colapinto teve que desviar de Sergio Perez de forma alucinante na largada na Austrália e será importante ver em Miami o quanto as largadas ficarão mais seguras. O mesmo pode ser dito das provas na chuva, já que ainda não tivemos em 2026 uma situação real de competição destes carros em condições que já são naturalmente mais perigosas.
O mês parado acabou trazendo a chance que fãs, pilotos e equipes esperavam de uma melhora na F1. A temporada 2026 inaugura uma nova e importante era, ajudando a trazer mais equipes (como Cadillac e Audi). Agora resta saber se os ajustes deixarão a categoria mais próxima de sua real essência.
Inovar e avançar na tecnologia sempre foi a marca da F1. Mas talvez a dose aplicada no começo do ano estivesse alta demais.


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