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Empresário é indiciado por agredir mulher em situação de rua em Pirenópolis

10 de jul.
3 min de leitura

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Foto: Banco de imagens.


A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito que investiga a agressão contra uma mulher em situação de rua no centro histórico de Pirenópolis e indiciou o empresário Orion Paranhos pelos crimes de lesão corporal gravíssima, violência psicológica e dano. Preso preventivamente desde junho, o investigado permanece detido enquanto o procedimento segue para análise do Ministério Público de Goiás (MPGO), que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça.


O caso ganhou repercussão nacional após imagens gravadas por uma testemunha mostrarem Maria, mulher em situação de rua conhecida pelos moradores da cidade, agredida com socos e chutes em plena via pública. As cenas provocaram indignação e mobilizaram moradores, comerciantes e entidades locais.


Embora o vídeo tenha se tornado o principal elemento de repercussão do caso, as consequências das agressões foram ainda mais graves do que as imagens revelavam. Dias depois do espancamento, Maria procurou atendimento médico com fortes dores abdominais. Exames constataram uma hemorragia interna, e ela precisou ser transferida para o Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana), onde passou por cirurgia de urgência. Durante o procedimento, os médicos retiraram o baço da paciente em razão das lesões provocadas pelos golpes.


Segundo o delegado titular de Pirenópolis, Tibério Martins Cardoso, foi justamente a perda do órgão que levou ao enquadramento mais severo previsto para o crime de lesão corporal. “O principal fator foi, sim, a perda do baço. O Código Penal prevê que a lesão corporal passa a ser considerada gravíssima quando a vítima sofre a perda ou inutilização de um órgão, membro, sentido ou função. Foi exatamente esse o enquadramento adotado neste caso”, explicou.


O delegado destaca que o artigo 129 do Código Penal estabelece diferentes níveis para o crime de lesão corporal. Enquanto a modalidade simples possui pena menor, a lesão grave é aplicada quando há, por exemplo, incapacidade para as atividades habituais por mais de 30 dias ou risco de morte. Já a lesão gravíssima ocorre quando o resultado é permanente.


“A vítima precisou retirar o baço em razão das agressões. A perda de um órgão humano está expressamente prevista como hipótese de lesão corporal gravíssima”, afirmou. Além desse crime, Orion Paranhos foi indiciado por violência psicológica e dano.


Segundo a Polícia Civil, ainda não é possível afirmar de forma definitiva qual foi a motivação da violência. A vítima relatou que foi agredida após ser acusada pelo empresário de ter quebrado uma tampa de caixa de esgoto localizada nas proximidades do estabelecimento comercial dele. O investigado nega essa versão e também afirma que não é o homem que aparece nas imagens gravadas por testemunhas.


“A gente não pode afirmar com certeza que esse foi o motivo. O que temos é o relato da vítima dizendo que ele a acusava de ter quebrado a tampa da fossa enquanto a agredia. Ele confirma que a estrutura realmente estava danificada, mas nega que ela tenha causado o problema e também nega ser o homem que aparece nas imagens”, disse Tibério Cardoso.


Durante as investigações, a Polícia Civil também identificou um histórico de conflitos entre comerciantes e pessoas em situação de rua na região central da cidade.”Esse pessoal dos comércios normalmente não gosta da permanência de pessoas em situação de rua naquela região porque entende que isso afasta clientes. Isso apareceu durante a investigação.”

 
 
 

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