top of page

El Niño: Brasil deve ter ao menos seis ondas de calor até o fim do ano

29 de ago.
4 min de leitura

Análise do Cemaden aponta pelo menos seis ondas de calor até dezembro, com risco de Super El Niño aumentar número de eventos. Calor pode piorar seca e espalhar incêndios. Há alerta de foco em 35% do território.




G1





O Brasil deve passar por ao menos seis ondas de calor nos próximos meses, segundo uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O fenômeno, que já foi mais concentrado em algumas regiões, hoje atinge o país inteiro ao mesmo tempo. E mais: o número de ondas pode ser ainda maior, já que no último El Niño foram nove.


Uma onda de calor não é aquilo que ocorre em um dia quente, é muito mais do que isso. A onda acontece quando, por um período de pelo menos três dias seguidos, as temperaturas máximas e as mínimas ficam excepcionalmente acima do normal. Ou seja, não há trégua de calor.


A previsão aponta que vamos viver um Super El Niño, que pode entrar para os mais intensos já registrados. Ele deve trazer calor e seca, ao mesmo tempo em que provoca chuvas intensas com cenários diferentes pelas regiões do país. Mas há um consenso de norte a sul: o calor.


A estimativa parte de uma pesquisa que analisou o histórico de 47 anos de registros de temperaturas observando o fenômeno em anos de El Niño.


De acordo com a pesquisadora responsável pelo levantamento, Mabel Calim Costa, doutora em ciências do Sistema Terrestre, e que pesquisa ondas de calor no Cemaden, a frequência pode ser ainda maior com a intensificação do El Niño.


“Essa é uma média, mas vimos no último El Niño o país viver nove ondas de calor, com dias extremamente quentes. Com as temperaturas dos oceanos subindo, pode ser que o cenário seja ainda mais intenso e isso traz consequências para o país”, explica.


Ondas de calor mais frequentes e por todo o país


Os dados trazem dois alertas: as ondas de calor estão mais frequentes e mais extensas. Isso significa que o país vai ter não só períodos mais quentes, mas que não haverá lugar no Brasil para onde fugir do calor.


A análise mostra uma mudança de comportamento nas últimas duas décadas. Nos anos 1980 e 1990, os episódios de calor extremo eram raros e mais concentrados em regiões específicas, como o Nordeste.


A partir de 2010, e de forma mais acentuada depois de 2020, o cenário muda: as ondas de calor não apenas ficam mais frequentes, como passam a cobrir uma área maior do território, atingindo o país inteiro ao mesmo tempo em vez de se concentrar em um ponto do mapa.


“A gente percebe que a onda de calor passa a afetar todo o país e isso é uma questão porque estamos falando de calor adicional em áreas já quentes e em áreas que também não tem resiliência para enfrentar temperaturas tão altas”, explica.


O gatilho por trás desses episódios costuma ser a formação de áreas de alta pressão que ficam paradas sobre uma região por vários dias. Esses sistemas funcionam como uma espécie de tampa: bloqueiam a formação de nuvens e a chegada de chuva, e prendem no lugar uma massa de ar seco e quente.


Sem nuvens para fazer sombra e sem chuva para resfriar o ambiente, a umidade do solo vai se esgotando — o que, por sua vez, intensifica ainda mais o aquecimento e pode reforçar quadros de seca já existentes.


O que mudou ao longo das décadas, segundo a especialista, não é necessariamente esse gatilho em si, mas a temperatura de base sobre a qual ele atua. Com o planeta mais quente, cada episódio desse gera picos de calor mais extremos do que geraria décadas atrás.


“As mudanças climáticas estão avançando e o mundo está mais quente. Isso reflete na intensidade das ondas e podemos ver um cenário ainda mais forte este ano.”, explica Mabel.


O período de 2023 a 2024 foi o pico da série histórica: nove ondas de calor entre agosto e dezembro, o maior número já registrado desde 1979 — mais que o dobro da média geral do país, que é de quatro registros.


A temporada foi o mais quente da história no mundo. No Brasil, mais de 6 milhões de pessoas enfrentaram pelo menos 150 dias de calor extremo em 2024, como o g1 mostrou com exclusividade.


Ainda não é possível saber quando vamos passar pela primeira onda de calor. No entanto, as previsões de setembro mostram um mapa quase inteiro laranja ou vermelho – o que indicam temperaturas acima da média em quase todo o Brasil – e com índices que podem chegar a 3°C acima da média.


O pesquisador e especialistas em Ciências Meteorológicas, Marcelo Seluchi, explica que vamos começar a sentir os primeiros sinais do El Niño em setembro e podemos esperar calor intenso no Centro-Sul, com chuvas no Sul.


"A temperatura dos oceanos estão batendo recordes e as previsões indicam que vão continuar aumentando. Isso nos mostra que podemos esperar um calor intenso já a partir de setembro, com ondas de calor acontecendo com maior frequência, intensidade e duração", explica.

Comentários


bottom of page