Desaparecidos em Goiás: Estado registra mais de 3 mil casos por ano, diz Ministério da Justiça e Segurança Pública
- 21 de mar.
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Nos últimos cinco anos, 17,4 mil pessoas desapareceram no estado. Somente entre janeiro a fevereiro de 2026, 562 casos de desaparecimento foram registrados.
G1-Goiás

Entre a angústia das famílias e o trabalho das autoridades, o número de desaparecimentos continua crescendo em Goiás. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), nos últimos cinco anos 17,4 mil pessoas desapareceram no estado, sendo mais de três mil desaparecidos por ano e em média 10 casos por dia.
O aumento é de quase 33% de 2021 para 2025. Neste período de tempo, 9,2 mil casos foram solucionados. Para cada 10 pessoas que desapareceram no estado, cinco casos foram concluídos e a outra metade permaneceu sem solução.
Somente entre janeiro a fevereiro de 2026, 562 casos de desaparecimento foram registrados em Goiás, segundo o MJSP.
Já em Goiânia, o cenário é diferente. Ao g1, o delegado Pedromar Augusto de Souza, titular do Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), destacou que são investigados pelo grupo apenas os casos ocorridos na capital.
"Desde outubro de 2024 também investigamos os desaparecimentos de menores", informou. O saldo é positivo, todos os casos de crianças e adolescentes nos últimos dois anos foram solucionados.
O índice de localização de pessoas maiores de idade na capital foi de 93,89% em 2024 e de 96,47% no ano passado.
Desaparecidos procurados pela Interpol
Atualmente, a Difusão Amarela da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) procura sete desaparecidos em Goiás. O alerta policial global é uma ferramenta que amplia as chances de localizar uma pessoa desaparecida, especialmente quando há indícios de que ela possa estar no exterior.
O caso mais antigo é o de Rosana Ferrari Pandim. Natural de São Paulo, ela desapareceu aos 11 anos de idade, em 1973, em Goiânia, segundo dados da Interpol. De acordo com notícias da época, no dia 23 de novembro, Rosana foi em direção ao Instituto Santo Tomás de Aquino, na Rua 55, onde estudava, mas não chegou ao local.
Uma colega teria a visto conversando com um homem desconhecido de meia idade e chegou a alertar de que iria se atrasar para uma prova. Depois, outra pessoa viu a menina abraçada aos livros e cadernos ao lado do mesmo homem, em direção à Avenida Goiás. Rosana nunca mais foi vista. Atualmente, ela estaria com 63 anos de idade.
17 anos sem notícias
Mayra da Silva Paula foi vista pela última vez em 3 de julho de 2009, em Goiânia, aos 20 anos, após descobrir que estava grávida. Ela chegou a deixar uma carta para a mãe, no apartamento onde morava, revelando a gravidez.
No dia do desaparecimento, estava combinado que a jovem iria visitar a família em Nova Glória, o que costumava fazer no período das férias da faculdade e em feriados prolongados, mas nunca chegou ao local. O paradeiro de Mayra foi investigado pela Polícia Civil e também pela Polícia Federal.
Entre os casos mais recentes e que se tornaram verdadeiros mistérios está o desaparecimento do ativista ambiental, João Paulo Vaz da Silva, de 33 anos, na Chapada dos Veadeiros. Amigos mantêm ativa a lembrança dele há três meses por intermédio do perfil “Justiça por João Planta”.
Desaparecido desde 8 de dezembro de 2025, o extrativista ambiental e defensor da conservação do Cerrado vivia no município desde 2015 e era visto como um profundo conhecedor das espécies nativas, atuando em hortas, hospedagens e projetos ligados à natureza e à sustentabilidade.
O desaparecimento só foi registrado na Polícia Civil no dia 16 de dezembro de 2025. O boletim de ocorrência relata que João havia chegado da rua com plantas e deixou o celular carregando em casa. Depois disso, ele saiu para ajudar algumas pessoas que chamaram por ele no portão e não foi mais visto.


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