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Delegacias da mulher de Goiás: apenas uma funciona 24h

São 27 unidades no estado e apenas a de Goiânia fica aberta em tempo integral. Em 2022, morreram 57 mulheres e 11.206 sofreram agressões de seus companheiros.


G1-Goiás

Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), em Goiânia, Goiás — Foto: Danielle Oliveira/g1


Está em vigor a lei que obriga as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) a funcionarem 24 horas por dia. Em Goiás, são 27 unidades e apenas uma em Goiânia atende em tempo integral .


O Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) afirma que o estado precisa de 6,4 mil policiais para se adequar a lei, ou seja, o dobro do atual efetivo, de 3,2 mil. Para o presidente do sindicato, Renato Rick, a solução seria abrir mais concursos públicos.


“Nós temos hoje, por exemplo, uma mulher que é vítima de crime doméstico num sábado a tarde, procura a Polícia Civil, na maior parte dos casos saindo de Goiânia, vai ser atendida por um policial que vai tentar fazer um bom acolhimento, mas ele não é especializado nessa tarefa”, argumentou Renato.


A nova lei prevê que o atendimento às mulheres nas delegacias seja 24 horas, inclusive em feriados e finais de semana. Além disso, deve ser feito em salas reservadas e, preferencialmente, por policiais do sexo feminino.


A regra também vale para os municípios que não possuem delegacia especializada. A delegada estadual da mulher, Ana Elisa Gomes, disse que as unidades serão adaptadas para priorizar o atendimentos as mulheres vítimas de violência.


“Quando chegar uma situação de violência doméstica e de gênero, que ela seja atendida em primeiro lugar, deixando as outras situações para atendimento posterior, para que a vítima seja melhor atendida”, pontuou a delegada.


Para a advogada Fabíola Ariadne, presidente da Comissão da Mulher da OAB-GO, é fundamental que as vítimas sejam atendidas por mulheres.


“Estudos na área mostram que quando o atendimento é feito por mulheres ele traz mais acolhimento e conforto à vítima para que ela possa continuar na denúncia. A lei prevê que o Fundo Nacional de Segurança Pública possa ser usado pelos estados para criar essas delegacias", esclareceu a advogada.


Estatísticas

Os crimes de agressão e assassinato de mulheres aumentaram em Goiás, segundo a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO). Em 2021, morreram 54 mulheres vítimas de feminicídio e 10.782 sofreram algum tipo de lesão corporal. Em 2022, morreram 57 mulheres e 11.206 sofreram agressões de seus companheiros.


O delegado-geral da Polícia Civil, André Ganga, disse em fevereiro desse ano, quando foi criada a Delegacia Estadual da Mulher, que deve chamar cerca de 900 policiais aprovados em concurso público para trabalhar nessas unidades especializadas.


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