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Convocação de Neymar começa a cobrar seu preço

29 de mai.
2 min de leitura

Lesão muscular afasta jogador dos próximos jogos da Seleção e aumenta sua distância física para o restante do elenco





GE





Quando Neymar foi convocado por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, escrevi aqui no blog que havia coerência na decisão. Afinal, o jogador tinha entregado ao treinador aquilo que ele sempre exigira para chamá-lo: estar em boas condições físicas.


De fato, nas últimas semanas Neymar vinha atuando com regularidade no Santos, suportando partidas inteiras – ou perto disso. Mas bastou um dia de treinamentos na Seleção para a convocação começar a cobrar seu preço: o atleta tem um problema muscular mais grave do que o esperado, ficará fora por até três semanas, perderá os amistosos e talvez a estreia na Copa.


Lesões acontecem, é do jogo. Mas o que chama atenção nesse processo é a diferença entre o diagnóstico do Santos e o da Seleção. O clube havia informado que Neymar tinha um simples edema; novos exames apontaram uma lesão muscular de grau dois na panturrilha.


Isso levanta dúvidas. Se a Seleção já tivesse essa informação, Neymar seria convocado mesmo assim? Se outro jogador tivesse uma lesão igual, seria convocado? O Santos se equivocou ou protegeu seu jogador do risco de corte? Ou a lesão de Neymar teve uma piora repentina?


Um jogador perder a estreia da Copa não é motivo para excluí-lo do torneio. Mas a lesão de Neymar vai além do simples desfalque nos próximos jogos: ela significa que ele não estará no mesmo compasso do restante do elenco na preparação para o Mundial. Isso já seria preocupante para um atleta que estivesse no auge físico. Para quem passou os últimos anos fora de ação (ou de forma), a situação é ainda mais delicada.


Eram riscos que faziam parte do pacote da convocação. Desde a grave lesão contra o Uruguai, em 2023, Neymar vem lidando com problemas musculares recorrentes. Um novo incidente não é surpresa. Ancelotti certamente havia colocado isso na balança.


E o que também sempre precisa estar na balança é o circo que acompanha Neymar. É tudo tão exagerado: a documentação em imagens da saga do jogador em busca de lugar na Copa, com o boné de um patrocinador na cabeça e reações de espontaneidade contestável; a vibração da plateia no anúncio de seu nome na convocação; a chegada de helicóptero para os treinamentos; o fechamento de uma clínica para que ele pudesse fazer exames, como se fosse um chefe de Estado.


Ficou ainda mais evidente que Ancelotti, ao convocar Neymar, convocou junto uma questão a ser permanentemente administrada. Ele precisará de sabedoria para dar à Seleção aquilo que o jogador tem de melhor – e protegê-la do que ele tem de pior.



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