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Com plano de autossuficiência, China fecha o cerco para exportações de carne e soja e coloca Goiás na corda bamba

  • há 1 hora
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Os chineses são, já há alguns anos, os maiores compradores de proteína bovina do Estado de Goiás. Mas isso pode mudar




Jornal Opção





Um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, a China divulgou, em março deste ano, um documento intitulado 15º Plano Quinquenal para o Desenvolvimento Econômico e Social da República Popular da China (2026-2030). O plano foi elaborado com base em uma proposta do Comitê Central do Partido Comunista e se apresenta como uma densa carta para “elucidar a intenção estratégica nacional, definir as prioridades de trabalho do governo e orientar o comportamento dos atores sociais”.


Entre os termos frequentemente citados no documento asiático estão “autossuficiência” e “autossuperação”. Mas o que aparece em um contexto altamente positivo para o governo chinês, que manifesta no Plano Quinquenal a intenção de ser autossuficiente em “ciência e tecnologia de alto nível para liderar o desenvolvimento de novas forças produtivas qualitativas” e investir na cadeia produtiva com vistas a “fortalecer o ciclo interno”, pode equivaler a perdas e restrições para a economia de Goiás, que tem o país asiático como o principal parceiro comercial no segmento de exportações.


Os chineses são, já há alguns anos, os maiores compradores de proteína bovina do Estado de Goiás. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea Esalq/USP), o país foi o destino de 32,8% do valor exportado da carne bovina goiana no acumulado de janeiro a outubro de 2025, o equivalente a 108,9 mil toneladas (573,5 milhões de dólares).


Em segundo lugar entre os maiores destinos do valor exportado de carne bovina no mesmo período estão os Estados Unidos, que figuraram com 17,3%, equivalente a 57,6 mil toneladas. México vem em terceiro lugar, com 13,3%, cerca de 43 mil toneladas.


Quando o assunto é grãos, os valores exportados são ainda mais expressivos. Ainda conforme dados do Cepea-Esalq, de janeiro a março deste ano a China foi o destino de 62% do complexo de soja de Goiás. A porcentagem, que equivale a mais de 1,5 milhão de toneladas e 642 milhões de dólares, é discrepante à segunda maior: Polônia, que foi o destino de 5,4% das exportações no mesmo período.


E a presença massiva tanto da soja quanto da carne não só de Goiás, mas de qualquer outra parte que não seja da China, é tratada no Plano Quinquenal quase como um desafio a ser superado.


Conforme descrito no documento, é objetivo dos chineses implementar profundamente a estratégia de armazenar grãos no solo e na tecnologia, intensificar a implementação da nova ação para elevar a capacidade de produção de grãos em cem bilhões de jin, estabilizar a produção de arroz e trigo e aumentar a capacidade produtiva de milho e soja, além de promover o aumento generalizado da produtividade por área de culturas principais, como cereais e oleaginosas.


A carta cita ainda a intenção de “adaptar-se às mudanças na situação de oferta e demanda, otimizar a estrutura da produção agrícola e estabilizar o desenvolvimento da produção de produtos agrícolas importantes”.


Na questão da carne, o Plano afirma que a China seguirá no caminho de fortalecer o controle abrangente da capacidade de produção de suínos, promover a melhoria da qualidade e eficiência das indústrias de carne bovina, carne ovina e gado leiteiro, e acelerar a transformação e modernização da pecuária pastoril.

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