Com novo acordo, venda de carne goiana para Europa pode gerar receita extra de US$ 51 milhões
A Fieg estima que Goiás deixa de exportar US$ 16,8 milhões por mês em carne bovina enquanto a suspensão vigorar
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A carne bovina produzida em Goiás poderá gerar cerca de US$ 51 milhões adicionais por ano em exportações para a União Europeia quando estiverem plenamente implementadas as condições comerciais previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. A projeção é da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), mas o embargo europeu a produtos de origem animal brasileiros impede, neste momento, que o setor aproveite a abertura.
“Vai gerar um aumento de exportação, justamente porque, dentro da cota, o produtor vai pagar menos imposto de importação. Então, o produto vai chegar mais barato lá na Europa”, afirma Saulo Nogueira, analista da Fieg. Ele ressalta que o ganho não será imediato: as concessões serão implementadas por etapas e o cálculo considera o acordo em sua configuração completa, daqui a cerca de dez anos.
A projeção abrange diferentes tipos de carne bovina. No detalhamento apresentado pela Fieg, a estimativa é de aumento anual de US$ 38,7 milhões para carne desossada e congelada e de US$ 12,3 milhões para cortes frescos ou refrigerados. Em 2025, Goiás exportou cerca de US$ 170,1 milhões em carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a União Europeia.
O acordo prevê uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina para o Mercosul, com tarifa de 7,5%. Cerca de 42 mil toneladas cabem ao Brasil. Antes do tratado, as barreiras tarifárias sobre esses produtos equivaliam a alíquotas de aproximadamente 42% a 46%.
A redução da tarifa dentro da cota pode tornar o produto mais barato no mercado europeu, mas não garante, por si só, aumento proporcional no volume vendido. O Brasil já exportava acima das cotas existentes, e a Fieg considera na projeção o crescimento de 6% ao ano por cinco anos estimado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Nogueira avalia que o tamanho da cota ficou abaixo do que o setor poderia esperar após mais de duas décadas de negociação. Ainda assim, diz, a vantagem tarifária pode ajudar os frigoríficos brasileiros e goianos. “Mesmo com a cota, nós vamos conseguir exportar fora da cota também”, afirma, referindo-se à competitividade do produto mesmo quando sujeito à tarifa integral.


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