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Cigarros eletrônicos: 4 a cada 10 adolescentes admitem ter usado pods e vapes em Goiás, aponta IBGE

  • há 1 hora
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Estado é o quinto do país com maior exposição aos dispositivos, que são proibidos para venda e consumo






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Quatro a cada 10 adolescentes com idades entre 13 e 17 anos admitem já ter experimentado cigarros eletrônicos em Goiás. A afirmação inclui vapes, pods e e-cigarrettes, que aquecem líquidos químicos em vez de queimar tabaco.


Os dados são da 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação.


Segundo o levantamento, a resposta foi de 39,2% dos entrevistados. O percentual é maior entre as meninas: 41,6% contra 36,9% dos meninos.


Também se destaca nas escolas públicas, onde 40% dos estudantes confirmaram ter experimentado os cigarros eletrônicos. Nas privadas, 34,5% dos alunos disseram já ter provado.


Com esses números, Goiás se coloca na 5ª posição entre os estados onde adolescentes mais consomem pods e vapes. Ele fica atrás do Mato Grosso do Sul (48,2%), Paraná (44,9%), Distrito Federal (43,7%) e Mato Grosso (41,4%).


Os índices demonstram que o alerta é regional: o Centro-Oeste é a área brasileira onde mais se consome cigarros eletrônicos antes dos 18 anos, com os quatro estados integrantes nas maiores posições do ranking.


Cigarros são introduzidos muito cedo


Outro dado destacado pela PeNSE é a quantidade de adolescentes que já fumaram alguma vez, mesmo cigarros tradicionais.


Em Goiás, os números indicam que 23,2% dos estudantes questionados disseram já ter experimentado os cigarros antes dos 18 anos.


Quase não há distinção entre meninos (23,3%) e meninas (23,1%), mas a quantidade é maior em escolas públicas (24,3%) do que em instituições privadas (16,3%).


Um a cada 10 adolescentes goianos, inclusive, fumou antes dos 13 anos. A porcentagem é de 13,8%, com destaque para os meninos em colégios públicos.


Ocorrência acende alerta


Para os profissionais da área, os dados preocupam. Entre 2019 e 2024, a porcentagem de adolescentes que já tinham experimentado o cigarro eletrônico no Centro-Oeste quase dobrou: saltou de 23,7% para 42%.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento se deve à política das empresas produtoras do tabaco, que investem fortemente na propaganda direcionada ao público de até 18 anos, incentivando o uso dos eletrônicos – mesmo com o consumo e venda sendo proibidos.


Carol Gomes, pneumologista do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis, explica como são os dispositivos: “os vapes ou pods funcionam através do aquecimento de misturas líquidas que contêm nicotina, solventes, aromatizantes e diversas partículas químicas ultrafinas”.


Ela alerta que “essas substâncias conseguem penetrar profundamente nos pulmões”, o que pode inflamar as vias aéreas, lesionar o tecido que as cobre e alterar os mecanismos de defesa pulmonar.


Carol explica que os vapes e pods causam consequências diferentes, mas que podem ser mais nocivas à saúde dos usuários. Isso porque alguns modelos têm concentração de nicotina equivalente a 20 cigarros tradicionais, um maço inteiro.


Soma a isso a chance de vício, que é maior entre os adolescentes. “O cérebro nessa faixa etária ainda está em processo de formação, tornando-se um alvo fácil para os mecanismos biológicos de recompensa e dependência”, detalha.

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