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Buriti de Goiás, com 2,8 mil habitantes, registra ata de R$ 8,7 milhões para combustíveis, mais de cinco vezes o gasto de 2025

13 de jul.
3 min de leitura

Prefeitura prevê comprar até 1,15 milhão de litros em 12 meses; edital não informa tamanho da frota nem apresenta os critérios que justificam o volume.




Mais Goiás





Uma cidade com apenas 2,8 mil habitantes homologou uma ata de registro de preços de R$ 8,77 milhões para a compra de combustíveis.


O valor previsto pela Prefeitura de Buriti de Goiás é mais de cinco vezes superior ao que o município efetivamente desembolsou durante todo o ano passado e prevê a aquisição de até 1.151.640 litros de gasolina, etanol, diesel comum e diesel S10.


Apesar da dimensão da contratação, o edital não informa quantos veículos compõem a frota municipal nem apresenta a memória de cálculo utilizada para definir os quantitativos.


O Mais Goiás pediu informações, por e-mail, sobre a frota atual e gastos detalhados com combustíveis para a prefeitura. Pediu também uma resposta sobre o expressivo valor previsto na ata, no dia 10 de julho, às 16h11, e aguarda resposta. O espaço segue aberto.


O pregão eletrônico foi homologado em 9 de julho e teve como vencedora a empresa Auto Posto SD Ltda., que fornecerá os quatro tipos de combustíveis previstos na ata de registro de preços.


Pela legislação, o documento estabelece um limite máximo para futuras contratações e não obriga a prefeitura a comprar todo o volume registrado.


Segundo levantamento da reportagem no Portal da Transparência, a Prefeitura de Buriti de Goiás pagou R$ 1.420.454,27 em combustíveis em 2024 e R$ 1.625.903,11 em 2025. Em 2026, até o momento, os pagamentos somam R$ 769.825,70. Isso quando a busca é filtrada apenas para postos de combustíveis.


O novo registro de preços, no entanto, fixa um teto de R$ 8.771.199,60, equivalente a aproximadamente 5,4 vezes tudo o que foi gasto pelo município com combustíveis no ano passado.


O edital prevê a compra de até 17,4 mil litros de etanol, 236,64 mil litros de gasolina, 174 mil litros de diesel comum e 723,6 mil litros de diesel S10. Este último responde sozinho por cerca de R$ 5,5 milhões, quase dois terços de todo o valor registrado.


Em termos proporcionais, o quantitativo máximo corresponde a aproximadamente 411 litros para cada morador de Buriti de Goiás, que tinha população estimada em 2,8 mil habitantes em 2022, segundo o IBGE.


Preços na ata


Segundo o pregão, a prefeitura deve pagar R$ 4,89 por litro de etanol, somando R$ 85 mil na previsão de gastos. Na gasolina, o valor é mais alto do que o praticado no mercado em geral: R$ 7,64. Em Goiânia, por exemplo, o valor varia até R$ 6,97 por litro.


A prefeitura também deve pagar mais caro pelo litro do diesel comum: R$ 7,55. Na capital, o valor chega até R$ 6,99. No diesel S10, a previsão é pagar R$ 7,69, enquanto o preço pode chegar até R$ 7,39 em Goiânia.


Sem esses dados, não é possível avaliar se a previsão é compatível com a estrutura da administração municipal.


Outro aspecto que chama atenção é o peso da ata sobre as finanças do município. O valor registrado corresponde a aproximadamente 19,5% da receita bruta realizada por Buriti de Goiás em 2024, que foi de R$ 45,08 milhões.


A comparação, porém, não significa que esse percentual será necessariamente gasto, já que uma ata de registro de preços funciona como um teto para futuras contratações, realizadas conforme a demanda.


Buriti de Goiás foi fundada em 1949 e, dentre os 246 municípios de Goiás, ele é considerado o 220º mais populoso do estado.

 
 
 

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