Brasil importa quase 90% dos fertilizantes; Goiás responde com investimento de R$ 28 mi e produção própria
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Além de reduzir a dependência externa, o projeto resolve questões ambientais. Resíduos que antes precisavam de descarte regulado pela Semad agora serão reaproveitados, criando uma economia circular
Jornal Opção

O Brasil vive hoje uma dependência de quase 90% em relação aos fertilizantes importados, cenário que motivou a criação do Plano Nacional de Fertilizantes 2050. Lançado em 2022 e retomado em 2023, o plano tem como meta reduzir pela metade essa dependência até 2050.
Para alcançar esse objetivo, foi criado o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Cefenp), que terá Hubs regionais espalhados pelo país. Em Goiás, o foco será nos agrominerais e remineralizadores.
Em entrevista ao Jornal Opção, o secretário de Indústria e Comércio de Goiás Joel de Sant’Anna Braga, apontou, nesta quarta-feira, 6, que a dependência brasileira de fertilizantes importados, que chega a 80% a 90%, tornou-se ainda mais crítica com a guerra na Ucrânia e a redução das exportações da Rússia, um dos maiores fornecedores do insumo ao país.
Além disso, a situação foi agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, mais recentemente.
“Nesse cenário, Goiás se destaca ao lançar o primeiro Hub de remineralizadores do Brasil, iniciativa que promete transformar resíduos da mineração em fertilizantes e fortalecer o agronegócio”, disse.
Joel explicou que o projeto pode marcar “o início de uma nova fase, não só para o Brasil, mas para o mundo”. Segundo ele, pesquisas já comprovam que o uso de remineralizadores aumenta em até 15% a produtividade de culturas como soja e cana-de-açúcar. “Isso pode trazer os benefícios que a gente tanto precisa no estado de Goiás, onde o agronegócio é a nossa locomotiva”, afirmou.
Segundo ele, o governador Daniel Vilela (MDB) é um entusiasta da iniciativa, que conta com a parceria da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Embrapa.
O estado foi escolhido para sediar o primeiro Hub de remineralizadores, com foco em pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico. “Vamos atender as necessidades do mercado com base em estudos sérios, mostrando que Goiás tem capacidade de reutilizar resíduos que antes eram problema ambiental”, destacou.
O secretário contou que o aproveitamento dos resíduos minerais inclui terras raras, nióbio, níquel e outros metais. No caso das terras raras, apenas 0,003% da terra extraída é utilizada, enquanto 99,997% retorna ao solo, promovendo remineralização natural. Já os resíduos fosfatados de outros minerais podem ser transformados em fertilizantes. “Com esse desenvolvimento científico, vamos comprovar para o Brasil e para o mundo que temos condições de reutilizar resíduos que eram até difíceis de descartar”, disse.
Além de reduzir a dependência externa, o projeto resolve questões ambientais. Resíduos que antes precisavam de descarte regulado pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) agora serão reaproveitados, criando uma economia circular. “Estamos comprometidos com o meio ambiente e com a sustentabilidade do agronegócio”, reforçou.
O Hub é fruto de um convênio com o Centro Tecnológico da UFG e integra o Plano Estadual de Recursos Minerais. A parceria com a reitora Angelita Pereira de Lima e com a Embrapa Cerrado garante suporte científico e tecnológico. “É um passo dois desse plano, que vai permitir desenvolver um projeto tão importante para Goiás”, explicou.
O secretário também disse que o papel estratégico do estado na produção de terras raras. “O único local fora da China que extrai e exporta terras raras é Goiás. Mas esse projeto não se limita a elas. Ele engloba todos os minerais extraídos no estado, aproveitando os resíduos fosfatados para a agricultura”, afirmou.


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