Bastidores do Corinthians: reunião e corte de valores destravaram renovação com Memphis
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Presidente Osmar Stabile confirmou novo contrato do atacante holandês, até julho de 2028
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A reviravolta que levou à renovação do Corinthians com Memphis Depay teve uma reunião reservada entre as partes e uma redução significativa nos valores do novo contrato, agora válido até julho de 2028.
Na retomada das tratativas, o atacante holandês concordou em retirar a ajuda de custo de R$ 250 mil mensais, que totalizaria R$ 6 milhões, e em reduzir a verba de marketing de R$ 15,4 milhões para R$ 7,7 milhões. Ao todo, a redução foi de R$ 13,7 milhões.
Já a dívida do Corinthians com o jogador, referente ao primeiro contrato, de setembro de 2024 a julho de 2026, foi fixada em R$ 42 milhões, a serem pagos em quatro parcelas semestrais a partir de janeiro do ano que vem.
Com os novos números em mãos, o presidente Osmar Stabile decidiu dividir com o Conselho de Orientação (Cori) a responsabilidade pela aprovação do acordo. A decisão teve como base um artigo do estatuto do Corinthians que determina que transações de jogadores com valor acima de 40 mil salários mínimos passem por autorização prévia do órgão.
Assim que o órgão deu aval à renovação, por sete votos a seis, Stabile ligou para Memphis para comunicar a decisão de, respaldado politicamente, assinar o novo contrato.
– Estamos juntos por mais dois anos. O Corinthians e você – disse Stabile a Memphis, segundo relato do próprio presidente, em entrevista no Parque São Jorge, a sede social do clube, na noite da última segunda-feira.
A virada começou a ser construída já no dia seguinte à decisão do presidente de não assinar o contrato acertado depois de meses de negociação.
A desistência, divulgada em nota oficial na terça-feira da semana passada, levou o holandês a se manifestar nas redes sociais, com críticas à diretoria e classificando a atitude como inaceitável.
Na noite de quarta-feira, Stabile se reuniu com Memphis e seu estafe, em São Paulo, reabriu a negociação e deixou o acordo bem encaminhado, desde que fossem apresentados valores menores do que os já acertados.
Os aliados do presidente só foram informados da retomada das conversas na última sexta-feira, quando o assunto chegou às alas políticas do Parque São Jorge. Eles não haviam sido avisados previamente do encontro com Memphis e se incomodaram com o movimento.
– Tudo com profissionalismo. Não teve problema nenhum. O dia que nos encontramos, sorrimos, brincamos. A gente trata com a distância profissional, eu como dirigente e ele como jogador. Não teve problema. Nunca teve e nunca terá – relatou Stabile em entrevista.
Durante o fim de semana, Stabile procurou integrantes do Cori e articulou a reunião de segunda-feira, que daria respaldo à confirmação da renovação.
– Tivemos uma reunião pessoal. Ele (Memphis) conseguiu reduzir números que a equipe dele não conseguia chegar. Fizemos o melhor para o Corinthians, em todos os aspectos, principalmente financeiro – relatou Stabile em entrevista.
– Ele (Memphis) baixou consideravelmente o contrato. Pelo trabalho que fizemos, no jurídico, no administrativo e no financeiro, é possível pagarmos este contrato.
– Sempre falei que a questão financeira era a mais importante. Não adiantava eu fechar qualquer contrato se não comportasse pagar no futuro. Eu sempre pensei na instituição. Sofri as consequências.
Seria muito mais fácil e melhor ter assinado qualquer contrato, como costumavam fazer aqui no Corinthians, e sair para o abraço, tirar foto e correr o mundo. Era o mais cômodo para mim. Mas eu fiz, pensando na instituição, e sofremos as consequências.
A condução do caso também teve impacto fora dos bastidores do clube. Depois de desistir publicamente da renovação, o presidente passou a ser alvo de críticas nas redes sociais, teve expostos o número de celular e a conta bancária e recebeu ameaças. Familiares de Stabile também foram ameaçados.


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